Entrevistas

"Provavelmente, gosta-se mais dos netos do que dos próprios filhos": Hélder Fráguas é avô pela 2.ª vez

Entre Lisboa e Montreal, Hélder Fráguas vive o papel de avô com a mesma dedicação com que constrói a vida profissional. Cinco anos depois do nascimento da primeira neta, o juiz de "A Sentença" prepara-se para conhecer o segundo neto.

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Ser avô trouxe-lhe novos ritmos, mas não lhe abrandou o passo. Hélder Fráguas continua a trabalhar, a viajar e a organizar o tempo para encaixar aquilo que hoje considera essencial: acompanhar o crescimento dos netos. Das saudades da rotina matinal com a neta Alice, em Lisboa, às visitas ao Canadá, onde a família agora vive, o juiz de "A Sentença" encara o papel de avô com respeito pelo papel dos pais e uma alegria particular nas pequenas coisas, como um passeio ou, quem sabe em breve, um dia num parque aquático. Nesta conversa em exclusivo com a SELFIE, reflete sobre o que significa ser avô, a distância, o tempo e os valores que quer deixar como herança.

Como é o Hélder enquanto avô?
Tornei-me avô há cinco anos, quando contava 55 anos de idade. A minha filha mais velha e o meu genro moravam pertíssimo de minha casa, mas iniciavam a sua jornada laboral bem cedo. Deixavam a Alice comigo às 07h00. Aí pelas 08h00, hora de abertura da creche, eu levava-a até ao colégio onde ela foi muito feliz e fez muitas amizades. Esporadicamente, ia buscá-la à tarde e terminávamos no parque infantil. No passado dia 25 de abril, fui avô pela segunda vez. Nasceu o Martin, no Canadá, onde agora residem os pais da Alice, brindada com um irmão. Ainda não estive com o bebé, mas dentro de dias aterrarei em Montreal para pegá-lo ao colo.

O que mudou na sua vida desde que é avô? Trouxe-lhe uma perspetiva diferente sobre a família ou sobre si próprio? Ou até sobre o tempo e as prioridades?
Não pude mudar muito a minha vida, porque continuo a trabalhar. No entanto, a Alice já ficou comigo enquanto os pais gozaram férias sozinhos. Por outro lado, quando ela tinha três anos, acompanhei-a para uma semana em Nouvelle Aquitaine, onde a minha neta pôde conviver com crianças francesas. Quando ela tinha quatro anos, já no Canadá, estive no Lago Taureau, em férias de verão. Ela divertiu-se ainda mais, por já saber nadar. Em Lisboa, frequentávamos o Pavilhão do Conhecimento. Em Montreal, vamos ao Centro das Ciências, que é um espaço semelhante.

Que tipo de relação procura construir? Que papel gostaria de ter na vida dos netos à medida que crescem?
Receber a visita de netos e sobrinhos que são crianças pode ser cansativo e exigente. Mesmo após a despedida, ainda fica muita coisa por arrumar. Mas, logo depois, tenho saudades daquela animação e anseio pelo encontro seguinte. É este saudável dispêndio de energia e alguma fadiga que nos deixa felizes a todos.

Algum sonho que gostasse de realizar ao lado dos netos?
Anseio por ir a um parque aquático com escorregas, fazendo companhia à Alice e ao Martin.

Como lida com a distância física? Que estratégias encontra para manter uma ligação próxima, mesmo estando longe?
A minha filha vai agora completar um ano de estadia em Montreal e as videochamadas permitem-nos manter um contacto frequente. Já tenho enviado alguns postais pela via tradicional do correio. Além disso, conto com a compreensão da TVI, que me tem permitido conciliar o programa com breves deslocações ao Canadá. Foi o que sucedeu no último Natal. 

Sente que há coisas que, como avô, faz de forma diferente do que fez como pai?
É difícil saber se o amor pelos netos é ainda maior do que o amor que se sente pelos filhos. Provavelmente, gosta-se mais dos netos do que dos próprios filhos. Como avô, sei que os meus netos levam a vida de acordo com as orientações traçadas pelos pais. Procuro sempre respeitar o que os pais determinam. Os próprios netos sabem que os desejos dos avós não se sobrepõem ao que os progenitores decidem.

Que valores considera mais importantes transmitir aos netos?
O respeito pela diferença, por outras culturas, por outros mundos e a noção de que vivemos numa aldeia global. A Alice viveu os seus primeiros quatro anos de vida em Portugal, mas só me ouviu falar em língua francesa. Aprendeu que há outras formas de comunicar. Sabe que há espaços onde se dialoga e se vive de modo diferente. Certamente o mesmo sucederá agora com o Martin.

Que memórias gostaria que os netos guardassem de si?
Gostaria que recordassem momentos divertidos em que os levei a conhecer outras paragens, longínquas, distantes do local onde habitualmente residem. Assim como gostaria que lembrassem as visitas às bibliotecas, que atualmente são autênticas mediatecas, onde não há apenas livros.

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