Foi há cerca de um mês que faleceu Gene Hackman: o ator, de 95 anos, morreu de doença cardiovascular e Alzheimer, ao passo que a mulher, Betsy Arakawa, de 63 anos, faleceu, uma semana antes, devido a uma infeção por hantavírus, transmitido por roedores.
A propósito destes falecimentos, Pedro Chagas Freitas recorreu ao Instagram para deixar um desabafo.
"Gene Hackman esteve uma semana perdido na própria casa, depois de a mulher ter morrido de uma raríssima doença. Até que também ele morreu. Como tantos outros, não morreu de doença, não morreu da idade. Morreu de não ter ninguém. Morreu de solidão", começou por lamentar.
"O actor lendário, o homem dos papéis inesquecíveis, o rosto em cartazes gigantes, em capas de revistas, em 1000 entrevistas nas quais falaram dele, escreveram sobre ele, nas quais lhe disseram que era um dos grandes. Onde estava essa gente toda agora?", questionou o escritor.
De seguida, Pedro Chagas Freitas desabafou: "A fama é um monte de bosta. Um castelo de areia feito de aplausos momentâneos, de memórias frágeis. Um dia, és o homem que todos querem ver; no outro, és apenas um corpo que apodrece sem que ninguém dê por isso. Passamos a vida a correr para coisa nenhuma, a acumular sucessos que não nos aquecem o quarto quando já não conseguimos sair da cama."
"Trabalhamos para ter; esquecemos de ser. Colecionamos contactos; mas não temos a quem ligar quando a febre sobe à noite. O mundo moderno especializou-se em produzir solidão. Criou cidades onde ninguém conhece ninguém, relações descartáveis, conversas rápidas - que não deixam raízes. Olhem à volta. Quantos já morreram vivos? A solidão é um ensaio para o fim. Alguns já estão a ensaiar há demasiado tempo", completou.
Veja, agora, algumas das melhores imagens de Pedro Chagas Freitas nas galerias de fotografias que preparámos para si.
