Entrevistas

Francisco Moita Flores pensa voltar à política? Saiba tudo!

Depois de ter sido presidente da Câmara Municipal de Santarém, entre 20025 e 2012, será que Francisco Moita Flores pondera um regresso à política?

Eleito Presidente da Câmara Municipal de Santarém entre 2005 e 2012, Francisco Moita Flores viveu um período difícil quando foi acusado e julgado por corrupção e branqueamento, crimes de que foi absolvido em tribunal. A experiência deixou marcas no escritor que, apesar de tudo, diz não ter arrependimentos na vida.

 

Que projetos tem para este ano e o que nos pode contar?
Ando a tatear a possibilidade de construir um novo livro ou escrever uma série televisiva. Está tudo muito no início e ainda não há grandes novidades.

 

E a carreira na política: pretende voltar a candidatar-se?
Nem pensar. Esse é um capítulo encerrado na minha vida.

 

Traços gerais, como vê o estado do País?
Vejo o País com uma tristeza infinita. Decadente, cada vez mais envelhecido, conquistado por pessoas sem escrúpulos, sem caráter, sem alma, preocupados em servir-se em vez de servir. A política fulanizou-se, a retórica fácil impôs-se, visão estratégica morreu, as causas tornaram-se lugar de banalidade. Uma tristeza sem fim.

 

Entre a escrita, a política e a investigação criminal, qual a preferida?
Escrever é ato respiratório e dá compasso ao coração.

 

Nesta fase da sua vida: guarda alguns arrependimentos? Algo que faria de forma diferente?
Não tenho arrependimentos. Sinto, por vezes, culpa por não ter sido mais atento aos meus filhos. Vivi como um furacão.

 

Se pudesse voltar atrás no tempo, voltaria a que momento?
A minha vida foi tão intensa, pejada de desafios e de aventuras, que não consigo escolher um tempo para regressar. Sinto-me bem na terceira idade.

 

É hoje a pessoa que imaginava? Sente-se realizado? O que sente que ainda lhe falta fazer?
Cumpri os meus sonhos de criança. Fui detetive, sou escritor, a vida deu-me três filhos extraordinários, a República reconheceu os meus serviços distinguindo-me com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante, tenho uma imensa plateia de público que segue o meu trabalho e tenho 72 anos. Não haverá muito mais para viver e, até esse dia, se a saúde não me faltar, continuarei a fazer aquilo que amo: escrever.

 

O que gostarias de dizer ao Francisco da sua juventude?
Apesar da irreverência e da permanente inquietação, portaste-te bem, ó puto!

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