Entrevistas

Francisco Moita Flores fala sobre problema de saúde: "É uma notícia dura sem aviso prévio"

Em 2022, em plena Feira do Livro, Francisco Moita Flores sofreu um enfarte do miocárdio e conta, agora, como lidou com o problema de saúde.

Francisco Moita Flores preparava-se para iniciar uma sessão de autógrafos na Feira do Livro de Lisboa, em 2022, quando sofreu um enfarte agudo do miocárdio, ficando em estado de morte súbita. Graças à rápida assistência médica foi possível reverter a situação e Francisco Moita Flores seria operado de urgência no Hospital de Santa Marta com sucesso. 

A experiência de morte súbita implicou algumas mudanças na vida do escritor que resolveu contar o que viveu num livro.

 

Depois do susto que apanhou quando sofreu uma paragem cardíaca, o que mudou na sua vida e que cuidados passou a ter?

Mudou muita coisa. Não se passa por uma ‘morte súbita’ sem ficarem marcas. Comportamento menos acelerado, medicação a horas, seguir o conselho do meu cardiologista e ‘pecar’ apenas uma vez por semana. Sou alentejano e esta é uma prova muito difícil. Esqueci o presunto e os chouriços, os torresmos morreram nesse dia, faço uma dieta à base de frutas, legumes e peixe grelhado com exceção do dia do ‘pecado’. E aqui, sim!, mato as saudades de uma carne de porco à alentejana ou de um cozido à portuguesa.

 

Quando se vive uma experiência semelhante, passa a valorizar-se mais a vida?
No meu caso, nunca ao longo da minha vida desvalorizei um dia que fosse. Senti que precisava de desacelerar, se quisesse estar por cá mais alguns anos. Vamos ver. Já passaram dois anos desde esse acidente e sinto-me bem.

 

Por que sentiu a necessidade de partilhar com os leitores o que lhe aconteceu? Como foi reviver esse momento através da escrita?
Decidi escrever Um Enfarte no Alto do Parque porque senti que devia alertar pessoas para o risco desta doença que nos ataca sem nenhum sinal de ataque próximo. Foi o meu caso. Estava bem disposto, antes de entrar na Feira do Livro ainda comi uma fartura, o dia estava bonito e sem uma dor, sem um desmaio, sem uma indisposição, sem uma vertigem, caí morto no chão. Fui salvo por três médicos que compravam livros na Feira. Só depois, já recuperado da cirurgia, me apercebi que existem procedimentos e atitudes que podem afastar a ameaça de um enfarte agudo do miocárdio e decidi partilhar esse conhecimento.

 

Como é que os seus familiares lidaram com a situação?

Preocupados, coitados. É uma notícia dura sem aviso prévio.

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