Entrevistas

Fátima Lopes vive noite mágica: "Estávamos todos felizes e esta energia contagia"

A SELFIE esteve à conversa, em exclusivo, com Fátima Lopes.

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"Geometria do Desejo". Assim se chama a nova coleção de Fátima Lopes, apresentada no passado sábado, dia 23, no Turim Liberdade Hotel, em Lisboa. A SELFIE esteve à conversa com a estilista sobre o desfile, cujo "feedback está a ser maravilhoso".

Primeiramente, explique-nos a inspiração/título da coleção.
"Geometria do Desejo" é uma coleção muito feliz, até pelas cores. Foi pensada para um verão feliz. Também tem muito que ver com o momento que estou a viver, um momento de paz, de tranquilidade e de felicidade. E é "geometria" porque a coleção é toda feita com linhas geométricas, tem um trabalho de alta costura gigante. Não há uma única peça básica, toda a coleção é muito geométrica e gráfica. Eu quero vestir tudo e, pelo que percebi, os meus clientes também.

Qual tem sido o feedback?
O desfile foi ótimo. O feedback está a ser maravilhoso, sobretudo porque, no final de contas, é uma apresentação da coleção. O desfile foi pensado para ser muito inclusivo, para ser muito direcionado para toda a gente, para que as pessoas se identificassem com alguma coisa. A versatilidade da coleção Fátima Lopes é real e foi pensada para toda a gente. As pessoas identificaram-se com a coleção, com as peças. Havia pessoas a fazerem, já ali, encomendas e isso é o melhor feedback que se pode ter. O sucesso de uma coleção começa, exatamente, na reação do público e dos clientes. E dá-me muito prazer saber que os meus clientes se sentem importantes por se identificarem com as roupas.

A Fátima sempre foi muito inclusiva.
Sem dúvida! Há 33 anos que faço moda e há 33 anos que a inclusão faz parte dos meus desfiles. Mesmo na altura em que só se escolhiam manequins muito magras, sempre usei mulheres com formas reais. Toda a vida fui uma pessoa que gosta da diferença. Nunca fez, mas cada vez menos faz sentido a questão dos estereótipos de beleza. Para mim, isso não existe. As pessoas são todas bonitas. precisamos é de saber tirar partido do melhor de cada uma. Nunca na minha vida, em 33 anos de carreira, disse mal de alguém. Há beleza em toda a gente. Esta coleção foi também um bocadinho dizer a toda a gente que há lugar para todos, para todas as etnias, medidas e idades. Não é só para uma elite. Durante muitos anos, fui acusada de fazer apenas roupa para gente perfeita. Eu não faço roupa para pessoas perfeitas, eu faço roupa para pessoas, para todos. Nos tempos que correm, só faz sentido ser assim. Acho que a mensagem passou, agradou a quem estava a ver.

A Maria Botelho Moniz estreou-se na passerelle, desfilou e brilhou. Assim como José Carlos Malato.
Eu gosto mesmo muito desta ideia de inclusão, como referi, e de surpreender o meu público, as pessoas que assistem aos meus desfiles, apesar de elas próprias já saberem que vão ser surpreendidas, de estarem à espera destas surpresas. Perguntam-me muitas vezes quem são as pessoas que vão desfilar desta vez. A ligação com a Maria surgiu há algum tempo, tenho-a vestido para alguns programas de televisão e fazia todo o sentido este convite. Ela estava linda! E, depois, não só sobre estes dois, mas como foi o caso das outras figuras públicas que desfilaram ou dos modelos da Face Models, são pessoas de quem eu particularmente gosto. Nunca poria a desfilar uma pessoa de quem não gostasse. Cada vez mais temos de ter connosco as pessoas do bem, que nos fazem bem. Estávamos todos felizes e esta energia contagia.

Como perceciona todos os constantes ataques de ódio de que ela é alvo nas redes sociais?
Numa altura em que se fala tanto de problemas do foro psiquiátrico, não consigo entender, imaginar a lógica de alguém que se põe a criticar os outros na Internet. Essas pessoas é que têm que fazer terapia. Não estão bem, uma pessoa feliz fica feliz pela felicidade dos outros e esse é o meu lema de vida. As pessoas têm que se olhar ao espelho primeiro antes de criticarem.

Este desfile contou com a particularidade de ter "apenas" um público de cerca de 350 pessoas, ao invés de uma plateia com mil, como já tem acontecido.
Sim, foi difícil e tenho que pedir desculpa a quem não consegui convidar porque o espaço era pequeno. Isto tem que ser dito. Mas fazia-me sentido fazer o desfile no hotel onde tenho a loja, ainda não tinha feito um evento em casa, isto foi desfilar em casa e implicava uma lotação mais pequena. Tenho que pedir desculpa a quem ficou de fora, mas prometo que, no próximo, já serão todos convidados.

Veja, agora, algumas imagens do novo desfile de Fátima Lopes, na galeria que preparámos para si!

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