No já habitual "Postal do Dia", Luís Osório dedicou uma crónica às "razões das lágrimas da mãe de Cristiano Ronaldo". "Mais dois golos de Cristiano Ronaldo [no jogo que defrontou Portugal contra Arménia] - como é possível? Numa das últimas vezes em que Cristiano marcou um golo pela seleção portuguesa, a sua mãe estava no estádio. Viram as imagens? O choro convulsivo de Dolores quando o filho marcou o golo? As suas lágrimas caíram como se ele continuasse a ser o pequeno Cristiano na porta de embarque para Lisboa. O seu menino tinha apenas 12 anos e uma pronúncia cerrada, no continente mal o conseguiam entender. Dolores deve ter chorado muito quando o viu desaparecer na porta de embarque", começou por referir Luís Osório.
"Já viram como chora convulsivamente? E já viram como Cristiano a procura na bancada? Como sempre a procura quando sabe que ela está (pode ter os filhos presentes, pode ter a sua mulher e os irmãos, mas é sempre a mãe que os seus olhos procuram em primeiro lugar). Tanta água passou pela ponte daquela mãe e daquele filho. O aborto que Dolores não fez no último momento. Já estava tudo certo e combinado, tinha o dinheiro na carteira por não lhe ser possível alimentar mais uma boca. Mas Dolores virou as costas no último momento à morada escrita num papelinho embrulhado. Voltou para a sua casa muito pobre, com três filhos ainda pequenos e um marido fortemente dependente do álcool. Ela voltou e Cristiano Ronaldo nasceu", acrescentou o comunicador.
De seguida, Luís Osório assinalou: "Sabemos o resto da história. Da força daquela criança. Do seu talento e convicção. Dos golos. Dos títulos. Do que ganhou. Do que aprendeu - a falar línguas, a ler livros, a gerir o seu dinheiro, a estimular a sua curiosidade. Sabemos que se tornou o melhor do mundo e um símbolo do país. O aeroporto em que se despediu da mãe com 12 anos tem agora o seu nome. Tem hotéis de cinco estrelas espalhados pelo mundo com o seu nome. Fizeram-lhe estátuas e está em museus. Mas quando marca um golo é a ela que procura. É a ela que abraça em primeiro lugar, foi a ela que entregou os seus primeiros dinheiritos, é a ela que agradece nas suas preces."
"Quando enriqueceu e começou a frequentar os melhores lugares poderia ter tido vergonha das suas origens, mas com Cristiano aconteceu exatamente o contrário - o dinheiro que ganhou serviu para que a mãe pudesse ter tudo o que quisesse, para que a mãe pudesse viajar e conhecer o mundo, para que pudesse fazer cruzeiros, para que pudesse provar os pratos mais requintados e ter uma casa com piscina interior e flores por todo o lado. Quando enriqueceu, Cristiano poderia ter feito silêncio sobre o drama do alcoolismo do pai, mas não. Lamentou apenas que o pai nunca o tivesse visto a marcar um golo num estádio cheio", salientou ainda, antes de completar: "Pode ser nisso que Dolores pensa quando as lágrimas lhe caem pela cara em cada golo que vê o seu príncipe marcar. Ou pode pensar na manhã em que amarrotou o papel do desmanche. Nos dias de dificuldade em que se sacrificou para que a mesa pudesse ter ao jantar uma sopa para todos. No dia em que deixou ir o seu pequenito para uma cidade desconhecida. Nos dias em que ao telefone ficavam os dois a chorar - Cristiano por desejar voltar para os braços da mãe e Dolores por não ter capacidade para o fazer regressar. Nos dias em que ele se tornou maior e ela que tudo valera a pena. Dolores viu hoje mais uma vez o seu filho em campo - mais dois golos. Talvez seja esse o segredo de Cristiano - o poder que o olhar da sua mãe tem no seu corpo, afinal Dolores vê o seu menino como se ele ainda tivesse 12 anos e festeja cada golo como se fosse o primeiro do resto das suas vidas."
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