"A Rute acabou de perder o marido. O homem com quem partilhou uma vida deixou de respirar. Ela não. Ela ficou. A tentar descobrir como é que se respira agora, a tentar perceber como se diz às crianças que o pai morreu, que não vai voltar, que o abraço que pedem antes de dormir vai ter de ser inventado - ou substituído por silêncio", começou por escrever Pedro Chagas Freitas, referindo-se a Rute Cardoso, a viúva do futebolista Diogo Jota.
"Mesmo assim, há idiotas que se dão ao luxo de analisar o vestido que ela usou quando foi a Liverpool. Criticam, disparam julgamentos, sentenças morais, fazem conjecturas mirabolantes, estapafúrdias, miseráveis. Como se o sofrimento tivesse um dress code", atirou o escritor, referindo-se ao vestido usado por Rute Cardoso quando percorreu o memorial criado para Diogo Jota nas imediações do Estádio de Anfield, em Liverpool. Na altura, a viúva do futebolista surgiu com um vestido branco que mereceu algumas críticas nas redes sociais, com alguns a criticarem o facto de ser curto e um pouco transparente.
"Isto não é um país; às vezes, é uma latrina. Um urinol moral: toda a gente alivia opiniões sobre a vida dos outros enquanto a própria apodrece em silêncio", considerou Pedro Chagas Freitas.
No final, o escritor deixou um importante apelo: "A Rute está no interior mais profundo do túnel. Não precisa que lhe apontem o dedo; precisa que lhe segurem a mão. Se não fores capaz disso, cala-te."
