No passado sábado, dia 13, Catarina Furtado assistiu à ópera "Adilson", em cena no Centro Cultural de Belém e, no Instagram, mostrou-se rendida ao trabalho de Dino d'Santiago.
"Ontem, fui ver a ópera 'Adilson' cuja conceção, encenação, libreto e dramaturgia (a partir de um texto de Rui Catalão) é do meu amigo Dino d'Santiago. Saí da sala do Centro Cultural de Belém muito comovida, mais informada no meu lugar de privilégio, mas não saí zangada. Nem as pessoas que ouvi no final comentarem, algumas a sentirem na pele o que no palco estava a acontecer, expressavam discursos de ódio. Havia até uma espécie de paz no ar, que a arte pode oferecer… Saí com mais vontade (ainda) de continuar o trabalho que promove a justiça", começou por referir a apresentadora, de 53 anos.
De seguida, Catarina Furtado refletiu: "'Adilson' tem direção musical de Martim Sousa Tavares. Nos papéis de Dino e de Adilson, estão duas jovens cantoras. Uma bela homenagem às mulheres que levam vidas às costas… Esta é a história de um homem afrodescendente, nascido em Angola, filho de pais cabo-verdianos, que vive há mais de 40 anos em Portugal - sem nunca ter obtido cidadania portuguesa. Uma vida entre salas de espera, processos adiados, burocracias que o impedem de ser plenamente reconhecido pelo país onde sempre viveu."
"Adilson representa milhares de pessoas deixadas nas margens do sistema. Em 2016, a jornalista Sofia Pinto Coelho fez uma reportagem para a SIC , 'Renegados', sobre esta situação e que inclusivamente venceu o Prémio de Jornalismo Corações Capazes de Construir da minha associação Corações com Coroa", acrescentou.
Entretanto, a comunicadora citou: "'A ópera transforma a espera em poesia e faz da invisibilidade um ato de resistência. […] Não sou português. Sou Portugal. Um país à espera.'"
"O Dino tem feito uma caminhada absolutamente essencial para que tantas pessoas possam ter as dores visíveis, mas que se alimentem de esperança, atenuando a raiva e promovendo o amor. E faz isso da maneira mais urgente: unindo vivências diferentes e até opiniões, para deixar nascer argumentos de paz que combatam a injustiça social, a discriminação, a vulnerabilidade. Sem agressividade", assinalou, ainda, antes de completar: "O Dino nunca ataca, mesmo quando é atacado. Não é um salvador (nem pode ser visto assim!) mas ilumina caminhos. Tem inteligência emocional, sabe ser e acredita piamente (mesmo quando o acusam de ingénuo) que um dia o mundo será um lugar onde todas as pessoas são tratadas como pessoas iguais, nas suas diferenças."
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