Sempre fui fiel. Nunca traí. Nunca dei um passo fora do meu casamento. E amo a minha mulher. Amo mesmo.
Mas o desejo não tem moral. Não pede licença. Entra sem bater à porta.
E entrou na forma da melhor amiga da minha mulher.
Conheço-a há anos. Nunca a vi como mulher. Sempre a vi como família, como alguém parte do nosso círculo íntimo.
Mas nos últimos meses algo mudou. Talvez tenha sido a forma como ela mudou fisicamente, talvez tenha sido uma conversa mais profunda que tivemos numa tarde qualquer, talvez tenha sido o simples facto de me sentir emocionalmente distante em casa… e mais atento a tudo à minha volta.
Comecei a reparar nela de forma diferente. Nos olhos. No sorriso. No toque casual no braço quando fala comigo.
E é aí que o desejo cresce, silencioso, venenoso. Nunca fiz nada. Nunca dei sinais. Nunca a incentivei.
Mas dentro de mim, há uma guerra constante entre quem eu sou… e quem o desejo insiste em querer transformar.
Falar disto com a minha mulher seria destruir o que temos. Falar com um amigo parece sujo. Guardar para mim é como carregar uma pedra no peito.
Peço ajuda? Ou enterro este sentimento tão fundo que deixe de o ouvir?
Tenho medo que ele cresça, se ignorar. Tenho medo que o meu casamento desabe, se enfrentar.
E no meio deste caos silencioso, a única coisa que sei é que não escolhi sentir isto. Mas tenho de escolher… o que fazer com isto.
Os dilemas apresentados nesta rubrica são ficcionais, ainda que baseados em histórias reais. Os textos são elaborados com recurso a Inteligência Artificial.
