Sempre me orgulhei de ser racional, responsável, profissional até à ponta dos cabelos.
Durante anos, mantive-me fiel às minhas próprias regras: nunca misturar trabalho com vida pessoal, nunca confundir olhares, nunca alimentar fantasias que pudessem pôr em risco a minha carreira.
Mas há momentos que nos atropelam, mesmo quando acreditamos que somos imunes a decisões impulsivas.
A gala da empresa foi esse momento para mim. Uma noite aparentemente normal, rodeada de colegas, música demasiado alta, copos que se enchem mais depressa do que deveriam.
Ele estava lá. O meu chefe. E, como sempre, a tensão silenciosa entre nós pairava.
Uma tensão que eu ignorava, ou achava que ignorava, porque era mais fácil fingir que não existia.
Mas, naquela noite, o corpo falou mais alto do que qualquer regra que criei.
Conversámos mais do que o habitual, rimo-nos demasiado, aproximámo-nos de uma forma que nunca tinha permitido.
E, então, aconteceu: um beijo, urgente, intenso, cheio de tudo aquilo que eu nunca devia ter sentido.
Depois disso, a noite perdeu definição. Lembro-me da porta do carro dele a fechar-se, de mãos que não deviam ser minhas, de uma coragem que não sei de onde veio... ou de uma fraqueza que tentei disfarçar.
No dia seguinte, acordei com a pior ressaca moral da minha vida.
Ele, no escritório, tratou-me com uma normalidade quase cruel.
Mas mandou-me uma mensagem ao almoço: "Precisamos de falar sobre nós."
Nós. Essa palavra ficou presa na minha garganta.
Fingir que nada aconteceu parece impossível. Demissão parece exagero… ou, talvez, não.
Não sei o que é pior: continuar a vê-lo todos os dias ou admitir que cruzei uma linha que talvez nunca consiga descrever em voz alta.
Os dilemas apresentados nesta rubrica são ficcionais, ainda que baseados em histórias reais. Os textos são elaborados com recurso a Inteligência Artificial.
