Somos amigos há anos. Jantamos juntos, passamos fins de semana, partilhamos histórias, gargalhadas, confiança. Sempre houve cumplicidade, mas nunca imaginei que isso pudesse evoluir para uma proposta destas.
Ele diz que seria uma vivência conjunta, transparente, sem segredos. Que não haveria traição se tudo fosse assumido. Que poderia até fortalecer a relação, quebrar rotinas, renovar a ligação entre nós.
Eu só consigo pensar no depois. No dia seguinte. Nos encontros seguintes. Nos olhares que deixariam de ser inocentes. Na intimidade que deixaria de ser só nossa.
Tenho medo de comparar. Tenho medo de sentir algo que não sei gerir. Tenho medo de perceber coisas que não consigo apagar da memória.
E, ao mesmo tempo, há uma parte de mim que sente curiosidade. Que se pergunta como seria sair da zona de conforto. Que sente o ego reagir à ideia de ser desejado de outra forma.
Mas curiosidade é razão suficiente para arriscar o que temos?
Não sei se esta proposta nasce de confiança absoluta… ou de uma insatisfação que ainda não foi dita em voz alta.
Os dilemas apresentados nesta rubrica são ficcionais, ainda que baseados em histórias reais. Os textos são elaborados com recurso a Inteligência Artificial.
