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Júlio Isidro: "A minha única intérprete deixou-me"

Foi no Facebook que o apresentador Júlio Isidro deixou uma emotiva mensagem.

Júlio Isidro na Selfie

Júlio Isidro condecorado por Marcelo Rebelo de Sousa

Lançamento do livro "101 Histórias do Tio Julião para Fazer Oó", de Júlio Isidro

Júlio Isidro no "Conta-me Como És"

Júlio Isidro recorda peripécia com Teresa Guilherme

Recorrendo à página de Facebook, Júlio Isidro decidiu prestar homenagem à fadista Deolinda Rodrigues, que faleceu há uma década.

"Há dez anos, o fado perdeu uma voz especial. Senti a partida com dó, muito dó... menor, um acorde de tristeza", começou por lamentar o apresentador, que aproveitou para partilhar uma curiosidade: "A minha única intérprete deixou-me. Deolinda Rodrigues, que pegou no único fado que escrevi até aos dias de hoje. Chama-se 'Lisboa Mulher' e cantou-o com a sensualidade que as palavras tinham dentro."

"Em 2015, na Casa do Artista, saiu de cena. Recordo-a a cantar de olhos cerrados os versos que me saíram numa madrugada em minha casa com o João Henrique a escrever música à viola: 'Há lá coisa mais bonita/ do que ver Lisboa nua/ A dançar à minha frente/vestida com luz da lua.' Falámos muitas vezes e confesso que sempre adorei o tom malicioso do seu olhar e as expressões marotas de saborosos segundos sentidos. A voz do meu único fado era linda e partiu linda. Encantou no filme 'Cantiga da Rua' e encheu palcos de revista com a sua voz e andar de 1000 desejos", acrescentou.

Júlio Isidro aproveitou para recordar o derradeiro encontro com Deolinda Rodrigues: "A última vez em que estive com a minha Deolinda foi numa tarde de convívio na Casa do Artista, onde juntos recordámos os êxitos de quantos ali vivem de memórias do passado. Lembro-me de, quase ao ouvido, termos repetido uma parte do refrão do meu fado: 'Lisboa não se deita a qualquer hora/ Lisboa só se deita com quem quer/ Lisboa sabe bem com quem namora/ Lisboa é o bem de um malmequer.' Piscou-me o olho cúmplice, ela, a senhora dona da minha solitária incursão fadista. Ao lado, sorria, um pouco ausente, a querida Argentina Santos."

"Calou-se a estrela do filme de 1950 'Cantiga da Rua', hoje um clássico do nosso cinema. Agora, o meu fado vai renascer na voz de Alexandre, incluído no seu novo álbum. Um dia destes escrevo outro fado, começo a ter mais tempo para fadistar", completou, na legenda de uma fotografia antiga, na qual posa com Deolinda Rodrigues.

Veja, agora, a imagem partilhada por Júlio Isidro na galeria de fotografias que preparámos para si.

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