"A literatura não é um luxo. É uma necessidade", por Vera de Melo
Na tertúlia da Festa do Livro em Celorico de Basto, houve uma pergunta central: qual é, hoje, o papel da literatura? E foi aí que me posicionei. Trouxe cinco dimensões que considero essenciais.
- 30 mar, 18:15
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A primeira: a literatura como espaço de consciência. Num mundo acelerado e superficial, ler obriga-nos a abrandar. E esse abrandamento é psicológico. Permite pensar, questionar, integrar. A literatura devolve profundidade.
A segunda: a literatura como lugar de empatia. Quando lemos, entramos em outras mentes, outras realidades, outras experiências emocionais. Isso expande a forma como compreendemos o outro.
A terceira: a literatura como organizadora emocional. Muitas vezes sentimos sem saber explicar. Os livros dão linguagem ao que está difuso. E quando nomeamos, compreendemos melhor. E quando compreendemos, ganhamos mais escolha.
A quarta: a literatura como instrumento crítico. Questiona normas, expõe desigualdades, dá voz. Mantém viva a capacidade de pensar para lá do óbvio.
A quinta: a literatura como refúgio. Um espaço seguro num mundo exigente. Um lugar onde podemos simplesmente estar, sem pressão, sem comparação, sem ruído.
E quando entramos na literatura infantil, tudo isto ganha ainda mais peso. Porque não estamos a falar apenas de histórias. Estamos a falar de construção emocional, de identidade, de como uma criança aprende a sentir-se por dentro.
Os livros são, muitas vezes, os primeiros espelhos. E também as primeiras janelas.
Há algo profundamente estruturante em oferecer um livro a uma criança. Não é apenas um gesto simbólico, é um investimento no seu mundo interno. Um livro ajuda a criança a organizar emoções, a reconhecer medos, a dar nome ao que sente antes mesmo de saber explicá-lo. Desenvolve linguagem emocional, imaginação e capacidade de empatia, pilares essenciais para relações saudáveis no futuro.
E foi isso que questionei ali. Num tempo em que se oferecem tantos estímulos rápidos, porque não oferecer também profundidade? Porque não dar livros como quem dá ferramentas para pensar, sentir e crescer por dentro? Oferecer um livro é dizer a uma criança: o teu mundo interno importa.
Foi nesse lugar que me posicionei. No território invisível onde as palavras se tornam identidade.
E depois há os momentos que escapam à linguagem.
O abraço sentido de Marcelo Rebelo de Sousa não foi protocolo. Foi presença. Daquelas que não se explicam, mas que se reconhecem.
Saí de Celorico de Basto com uma certeza tranquila, mas firme.
A literatura não é um luxo. É uma necessidade emocional, cognitiva e social. Não compete com a velocidade do mundo moderno. Equilibra-a.
E talvez seja precisamente por isso que não podemos esquecer: cada livro que damos a uma criança não é só um presente. É uma possibilidade. Uma construção. Um futuro que começa por dentro. Porque cada criança não veio apenas ao mundo. Veio para ser feliz.
