Cristina Ferreira recorda frase marcante de tia: "Foi tão duro de ouvir"
Como forma de antecipar um novo lançamento do projeto Gira, a apresentadora Cristina Ferreira recordou uma conversa que teve com uma tia.
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Dúlio Silva
- 1 set, 21:57
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"Golden Power" é o nome do novo lançamento da Gira, o projeto de Cristina Ferreira voltado para o universo feminino, e vai chegar ao público já a 8 de setembro, um dia antes de a apresentadora celebrar o 49.º aniversário.
Em jeito de antecipação, Cristina Ferreira partilhou com os seguidores do Instagram um vídeo em que recorda uma conversa marcante com uma familiar. "Lembro-me como se fosse hoje. Acho que isto foi, para aí, há 15 anos. A minha tia sempre falou de tudo. Ela tem 86 anos, mas sempre foi uma mulher muito livre. Ela disse-me: 'Não, não. Acabou tudo. Ali, foi o fim'. Ela estava a falar de quando ficou menstruada pela última vez. Estava a falar da menopausa", contou a anfitriã do programa "Dois às 10".
"Aquilo foi tão duro de ouvir, porque era a ideia de uma mulher que achava que, naquele momento, a vida tinha terminado - ou, pelo menos, a vida como ela conhecia. Que seria, a partir daí, uma fase de decadência. Eu, que sempre gostei de fazer perguntas para perceber as respostas, tentava perceber o que ela sentia e ela dizia: 'É ficar seca. A partir daqui, para que sirvo?'. Esta ideia, que prevaleceu durante muito tempo na cabeça de muitas mulheres e na cabeça dos companheiros, era assustadora, porque, de facto, não é o fim de nada. Há mudanças? Há", constatou, depois, a também Diretora de Entretenimento e Ficção da TVI.
Sobre as conversas que foi tendo com a tua sobre o assunto, Cristina Ferreira lembrou ainda: "Ela falava muito: 'Vontade? Nenhuma. A partir daí, nem para o meu João. O meu João queria e eu não queria nada'. Eu disse: 'Então, mas porque não foste à farmácia? Podias pedir um lubrificante'. 'Eu? Alguma vez eu ia à farmácia pedir uma coisa dessas? Nem pensar', respondeu-me. É isto que nós não queremos continuar. É esta falta de de informação, é esta necessidade de esconder, é esta necessidade de não dizer que se está na menopausa que é preciso mudar. Porque pode ser mesmo fase de libertação."
"É uma fase nova? É. Vamos passar por emoções novas? Sim. Há alterações fisicamente? Há. Mas o que não é normal é achar-se que, a partir daqui, não há mais nada. Porque há. Porque há até uma fase que pode ser aquilo que nós chamamos de era dourada. De maior liberdade, de sentir que o corpo mudou, mas que somos mais confiantes com ele, de se perceber que há até uma maior liberdade sexual... Porque não há o perigo de engravidar, o que, para muitas mulheres, podia ser uma dificuldade acrescida. Depois, que os homens percebam - aí, somos nós também que temos de fazê-lo - que estas mudanças existem. Que não tem a ver com o deixar de gostar, que não é controlável e que, todos juntos, podemos tornar esta fase na fase de maior liberdade da mulher. A fase em que tudo pode ser um recomeço. E um recomeço melhor ainda", defendeu.
"Mas aquela frase da minha tia nunca mais me saiu da cabeça. Eu acho que as minhas escolhas têm muito a ver com a forma como vivi, o que ouvi e o que quero mudar. Que mude alguma coisa", refletiu, por fim, Cristina Ferreira.
Na legenda que acompanha este testemunho, a criadora da Gira escreveu: "Ouvi, entrevistei, ouvi, estudei, passei anos a perceber o porquê de se esconder um tema tão importante e tão impactante na vida de cada mulher. Aquela frase da minha tia nunca me saiu da cabeça. Felizmente que a informação permitiu perceber que se pode olhar para esta fase e não aceitar como normal. Isso passa. Neste último ano e meio, percebi que se continua a esconder, a evitar a conversa, a ouvir aguenta. Não. Esta pode ser uma fase de liberdade. E começa agora."
Veja, agora, o vídeo com as declarações de Cristina Ferreira.
