Cristina Ferreira esteve à conversa com a imprensa, na apresentação da nova novela da TVI, "A Protegida", e, a certa altura, acabou por falar sobre a série "Mulheres, às Armas!", que idealizou e que também se estreia em 2025.
"É uma série que está a ser trabalhada já há algum tempo. Aliás, foi a série escolhida pelo ICA [Instituto do Cinema e do Audiovisual] para ter o apoio e isso deixou-me muito feliz, porque foi a única série escolhida", começou por dizer a Diretora de Entretenimento e Ficção da estação de Queluz de Baixo.
"Acima de tudo, retrata muito da minha vivência e da vivência de muitas pessoas com familiares que estiveram na guerra e que ouviram falar de todas essas histórias. A ideia partiu um bocadinho da minha vivência, de tudo aquilo que eu ouvi em relação ao meu pai. O meu pai foi o único homem da família na guerra. Esteve em Angola, na Guerra do Ultramar, durante dois anos", continuou.
De seguida, Cristina Ferreira contou algumas dessas histórias que se recorda. "As fotografias dele estavam sempre nas gavetas de casa da minha mãe. Portanto, eu fui a menina que fui descobrindo as cartas de amor deles, as fotografias que ele guardava e sempre ouvi a história da minha avó. Ela tinha vários filhos, o meu pai era o mais novo e foi o único que foi para a guerra. A minha avó vestiu-se de preto até ao dia em que ele regressou. E isso marcou-me sempre profundamente enquanto criança. Contei isto à Filipa Martins [a autora do projeto] e disse-lhe: 'Gostaria muito que se olhasse para o lado feminino da guerra, que é muito raro de ser olhado. Falamos muito de quem foi, falamos muito de quem viveu, mas nunca falamos de quem ficou e de quem viveu dessa forma a guerra'. Ela respondeu-me: 'Essa é, também, a história da minha família. Vamos lá'", explicou a apresentadora.
"Eu só tive a ideia. Tudo o resto foi criado pela Filipa e pela realizadora Patrícia Sequeira. Portanto, é uma história pensada por uma mulher, escrita por uma mulher e realizada por uma mulher, mas numa base temática que é a base de quase todas as famílias deste País. E eu acho que as pessoas vão gostar muito e se vão rever, acima de tudo, porque é a história das emoções, de quem calou o sofrimento de não saber dos seus. Na altura, não havia videochamadas", disse, ainda.
Por fim, Cristina Ferreira esclareceu que não existe uma personagem propriamente inspirada na apresentadora. "Não, porque a liberdade foi total da Filipa para criar tudo, com muita investigação. Ouviu muitas histórias, para tentar não fugir da realidade. Mas são personagens de ficção. Apenas dei este input da minha avó se ter vestido de preto, da minha mãe e das cartas que ela escreveu, que, no fundo, estão presentes em muitas das personagens. Acho mesmo que faltava isto nesta fase e de olharmos desta maneira para a Revolução e também para a Guerra do Ultramar", findou.
