Entre o risco e o desejo, Carlos Félix lança novo single
"Fica", um single pop de estética eletrónica que mergulha nas dinâmicas intensas e ambíguas das relações contemporâneas, assinala o regresso de Carlos Félix. Entre o desejo, o risco e a vulnerabilidade, o artista afirma uma identidade cada vez mais sólida na nova pop nacional.
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Cátia Soares
- 8 mai, 11:00
Carlos Félix lança novo single: "'Fica' "vive na tensão entre risco e atração"
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Depois de "Um Amor Assim" e "Quero Ir", Carlos Félix apresenta "Fica", um tema que não procura contar uma história linear, mas antes capturar um estado emocional, aquele momento em que tudo acontece depressa demais e o instinto fala mais alto. Escrito em colaboração com Rita Onofre e produzido por Ned Flanger, o single ganha ainda uma dimensão visual através do videoclipe assinado pela dupla Mana a Mana. Numa fase de afirmação artística, o cantor, compositor e ator revela uma abordagem mais intuitiva e crua, explorando a tensão entre controlo e descontrolo. Nesta conversa exclusiva com a SELFIE, Carlos Félix fala sobre o processo criativo por detrás de "Fica", as emoções que o atravessam e o caminho que tem vindo a construir na música.
De que fala este tema?
Este tema vive no segundo exato em que emoção e atitude colidem. Aquele segundo em que decides não pensar, só agir. É assim que eu defino o tema "Fica". E sinto que é o reflexo de muitas das relações de hoje, sem filtros, em que ninguém quer perder, mas toda a gente acaba por se expor. No fundo, a canção retrata uma narrativa sobre desejo e ego, mas, também, sobre vulnerabilidade. É quase como um jogo silencioso entre duas pessoas que sabem exatamente o que estão a fazer, mas fingem que não. Se a tensão entre risco e atração tivesse uma banda sonora... seria esta. Há tensão, há charme, e há aquela sensação de "isto pode correr muito bem ou muito mal" e é precisamente isso que o torna viciante. Mas mais do que uma história linear, este tema é um mood que eu descrevo como um retrato emocional de uma geração que vive intensamente, mas que quer sempre proteger um pouco de si.
Como descreves a sonoridade desta canção?
A música posiciona-se numa pop contemporânea com algumas influências urbanas, mas com uma energia muito física, quase cinética. É upbeat, mas não é leve. Tem pulso e pretende ter tensão. A base rítmica marcada com o baixo e a percussão empurra a música para a frente, como se estivesse sempre em aceleração, acompanhando precisamente a narrativa de urgência que a letra carrega. Houve também uma sensualidade subtil na produção do Ned Flanger, que não sendo explícita, está bem presente e que casa na perfeição a proximidade e a intensidade da mensagem. Se tivesse de resumir: é pop com atitude. Aquela vibe que vai funcionar tanto na tua manhã, quando vais sozinho de carro para o trabalho, como numa festa cheia de gente à noite.
E o processo criativo?
O processo criativo desta canção nasceu muito de uma sensação de movimento. Eu não pretendia contar mais uma história tradicional. O que eu queria era mais traduzir um estado. Aquela energia de quando tudo está a acontecer depressa demais e, mesmo que não distingas o que é certo ou errado, o que tu decides é ir atrás na mesma, seguindo o teu instinto. E este tema foi sendo construído à volta desse conceito, quase como um mantra levado ao limite (que, depois, até aparece literalmente na repetição de "sigo a tua dança"). Houve uma procura consciente por manter a espontaneidade nesta criação. Tanto eu como a Rita Onofre não quisemos complicar, nem intelectualizar demasiado. A letra reflete isso: frases diretas, imagens rápidas, quase como flashes de memórias de uma noite, ou de várias. Foi mais sobre sentir primeiro e organizar depois, e acho que isso ficou impresso no resultado final.
O que nos podes contar sobre o videoclipe?
Vejo este teledisco como a extensão visual da tensão emocional que eu queria para o tema. Não pretende retratar uma única história, porque esta canção também não o é, mas pretende, sim, construir uma atmosfera através de uma estética cuidada, meio surrealista, que cruza cenários estranhos, mas, ao mesmo tempo, muito familiares, com um cenário mais íntimo e próximo de casa, criando este jogo de controlo e descontrolo da nossa emoção. Esta linha de ritmo e repetição criada também pela Joanna Correia e pela equipa Mana a Mana, acaba por dar esta identidade que se traduz no polido e no imperfeito a coexistirem. E essa é uma imagem que eu estou a gostar muito de explorar.
Como encaras esta fase da tua carreira?
Sinto que é uma fase mais afirmativa. Não de querer fazer mais barulho, mas, sobretudo, de fazer melhor e com mais consistência. Sinto que esta fase em que me encontro é muito sobre perceber exatamente quem sou enquanto artista, mas, mais do que isso, enquanto pessoa. E isso está a permitir-me construir uma assinatura na qual me revejo cada vez mais. Sinto uma liberdade maior, mas, ao mesmo tempo, uma responsabilidade diferente, por sentir que há um público que começa a estar expectante em relação aos meus passos seguintes. Cada lançamento já não é só mais um. É uma peça num percurso mais estratégico. E isso também me dá uma clareza maior no tipo de energia que quero transmitir. Fundamentalmente, traduz-se numa menor preocupação em explicar tudo e numa maior confiança em fazer sentir. Isso, para mim, é um shift importante. No geral, estou numa fase de deixar de tentar controlar todos os elementos e começar a confiar mais no instinto, tal como na música. Este tema reflete essa minha vontade de andar em velocidade de cruzeiro à procura da minha direção certa. E aviso já que não estou com vontade nenhuma de abrandar.
