Entrevistas

"Não poder despedir-me foi horrível": Carlos Costa recorda última conversa com o pai

Em entrevista exclusiva à SELFIE, Carlos Costa recorda o momento em que perdeu o pai, numa história marcada por intuição, despedidas inesperadas e a impossibilidade de dizer "adeus".

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A morte do pai continua a ser um dos momentos mais marcantes na vida de Carlos Costa. O cantor recorda com detalhe os dias que antecederam a perda e a última conversa que tiveram.

"Eu e a minha mãe estivemos quase três anos sem falar um com o outro. Voltámos a conversar decentemente quase em 2020. Voltámos a conversar porque a minha mãe me ligou a dizer que o meu pai tinha morrido. Em março estávamos em confinamento total por causa do Covid e em julho a minha mãe ligou-me a dizer: 'O papá morreu.' E eu tinha falado com ele no dia anterior. Dei-lhe os parabéns. O meu pai morreu um dia depois do aniversário dele. Estava bem. Foi uma morte súbita."

Carlos Costa acredita que havia sinais difíceis de explicar: "Ele próprio, provavelmente, sentia. E eu também sentia alguma coisa. É uma coisa que não se explica, mas há coisas que não se explicam mesmo."

Nos dias anteriores, o cantor sentia que algo não estava bem. "Nos dias anteriores à morte do meu pai, eu não estava bem e liguei para a minha irmã e disse-lhe: 'Mana, passa-se alguma coisa. Temos de ir para a Madeira.'"

Na noite anterior, tomou uma decisão invulgar: "Fui dormir à casa da minha irmã, pela primeira e única vez na minha vida."

Acabaria por ser a última oportunidade de falar com o pai: "O meu pai ligou à minha irmã enquanto estava na festa de aniversário dele, organizada por ele e com todos os amigos dele. E, como eu estava em casa da minha irmã, acabei por falar com ele por telefone e dei-lhe os parabéns: 'Parabéns, papá.'"

Um detalhe ficou gravado na memória do cantor: "Quando ele estava a cortar o bolo, disse: 'A primeira fatia é para o Carlos.' Acho, muito honestamente, que ele sabia ou que ele sentia que alguma coisa se haveria de passar. Essa foi a nossa forma de despedida. Foi a última frase."

A impossibilidade de se despedir continua a pesar: "Não poder despedir-me foi horrível."

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