Carlos Costa revela o que o levou a questionar a disforia de género
Em entrevista exclusiva à SELFIE, Carlos Costa explica que a decisão de iniciar a transição de género surgiu após um processo profundo de análise psicológica e psiquiátrica.
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Cátia Soares
- 23 abr, 20:25
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A decisão de Carlos Costa de iniciar o processo de transição de género não foi impulsiva, mas resultado de uma análise profunda.
"Isto vem de um estudo profundo do meu foro psicológico e psiquiátrico", começa por explicar, em entrevista exclusiva à SELFIE.
O cantor sentiu necessidade de compreender a origem da sua instabilidade emocional: "Chega a um ponto em que precisas de perceber de onde vem esta instabilidade psicológica e psiquiátrica. É porque te afastaste dos holofotes? É porque perdeste o teu pai e o teu namorado ao mesmo tempo? É porque regressaste à Madeira e não pertences a este ambiente?"
Entre várias possibilidades, surgiu uma questão central: "Existe uma disforia de género? Isto tem de ser estudado. Não é dizer: 'Agora, quero ser mulher! Vamos por aqui peitos e tomar hormonas!'"
Carlos Costa procurou, então, acompanhamento especializado: "Fui à procura de respostas. Existe uma disforia de género ou não? É que eu não tenho qualquer problema em dizer: 'Olá, eu sou o Carlos e sou homem.'" E admite que chegou a uma conclusão importante para o seu bem-estar: "Tentei ir à procura de perceber se o início da transição me poderia trazer mais calma mental e chegámos à conclusão de que sim."
Em entrevista exclusiva à SELFIE, Carlos Costa revela ainda que sempre resistiu à pressão social para se enquadrar em categorias rígidas. "'Se te pareces com uma mulher, se tens cabelo comprido e usas maquilhagem, tens que ter peito! Se não tens peito, isso não é coerente! Ou és uma mulher ou não és uma mulher! O que é que és, afinal?' Eu não vou ceder à pressão, lá porque tu queres que eu me defina. Eu não tenho que fazer nada perante a sociedade e cheguei a esta conclusão sozinho."
Ainda assim, sublinha que o processo vai muito além da dimensão física: "Antes, nunca tinha pensado [em fazer a transição de género]. Eu ainda não me consigo imaginar sequer com a mamoplastia feita. É uma coisa que me faz muita confusão, porque, na verdade, o que eu quero estabilizar é o meu sistema hormonal, que é algo muito mais profundo clinicamente. Não tem necessariamente a ver com ter peito ou não ter peito."
