Entrevistas

Carlos Costa regressa à vida artística com concerto intimista e admite voltar aos reality shows

Depois de um longo período afastado dos holofotes, Carlos Costa sobe ao palco no Porto Moniz para um concerto intimista que assume também como o primeiro passo para voltar à televisão e à vida artística.

Carlos Costa
Carlos Costa

Carlos Costa voltou ao lugar onde tudo fica mais simples: casa. Porto Moniz não é apenas o ponto no mapa onde nasceu. É o espaço onde voltou a respirar, a sarar feridas, a reencontrar-se consigo próprio depois de anos de exposição pública intensa, e é também o local escolhido para o regresso à música.

Aos 33 anos, o cantor prepara-se agora para voltar aos palcos de forma discreta e íntima, longe do espetáculo mediático que tantas vezes se sobrepôs à música. É jáo próximo domingo, dia 21, que se apresenta ao lado do pianista ucraniano Alexey Oleshko, no Onda Azul, Lamaceiros, loja da família de Carlos Costa.

Depois de uma temporada em que parar foi "inevitável" por estar "cansado de tentar provar algo" aos outros, Carlos Costa precisou do seu espaço, para recuperar da morte do pai e de se fortalecer.

E esse processo não poderia ter acontecido noutro lugar. "Não existe melhor sítio para isso do que na casa da mãe, não é?" Estar perto da família foi mais do que um conforto: foi uma âncora. "Estar perto da minha mãe e ter a oportunidade de me sentar à mesa com os meus irmãos, de me sentar à mesa com a minha família, ter esse aconchego, esse amor, essa proximidade, também me ajudou muito a sarar."

Durante algum tempo, Carlos Costa reconstruiu-se noutra dimensão: trabalhou no ramo imobiliário, ajudou a abrir uma loja multifunções com a família, algo que era um sonho antigo do pai, arrumou as malas e ficou. Ficou presente, ficou inteiro.

Mas a música nunca desapareceu. Apenas esperou. O reencontro surge agora como necessidade de comunicação, não de exposição.

O concerto no Porto Moniz é, por isso, simbólico. Não há temas originais, apenas versões escolhidas pelo músico, carregadas de nostalgia e melancolia. "São músicas bastante nostálgicas, quase que a tocar a melancolia, com um desfecho de esperança, natalício e de celebração à vida."

Este regresso não é um ponto final, mas um recomeço. "É, sem dúvida alguma, um primeiro passo para uma continuação", afirma. O objetivo é claro: "Voltar à música, voltar aos ecrãs, voltar a fazer televisão, voltar a fazer e a cantar em palcos."

Mas não a qualquer preço. Porque o Carlos Costa que regressa não é o mesmo que entrou em concursos televisivos ou reality shows há duas décadas. "Tanta coisa aconteceu e tantos anos passaram que, apesar de eu não deixar de ser a pessoa que passou por aquele percurso, a verdade é que passaram 20 anos desde que eu apareci pela primeira vez na televisão."

Hoje define-se como "um Carlos muito mais sóbrio, muito mais pensativo, muito mais nostálgico, muito mais inclusive empreendedor".

Quanto ao futuro, incluindo a possibilidade de voltar a reality shows, não fecha portas, mas deixa um aviso claro. "Não ponho de parte, porque, hoje, sei que não faria metade das coisas que fiz naquela altura. Eu não sou jamais a criança que entrou naqueles reality shows."

Também a imagem, tantas vezes criticada, continua a ser expressão de liberdade. "O que incomoda as pessoas é a liberdade que eu me dou de fazer aquilo que me apetecer." Hoje, vive uma fase "mais contida, mais séria", mas sem promessas de permanência: "Nada que não possa mudar, se amanhã me apetecer."

O pianista Alexey Oleshko mostra-se expectante com este concerto: "Vai ser um espetáculo reconfortante e emotivo e que reflete todas as nossas experiências e capacidades. Trabalhei mesmo arduamente para criar arranjos que fossem desafiantes tecnicamente e que soassem muito bem. Vai ser fantástico."