Entrevistas

Carlos Costa fala sobre a orientação sexual e a possibilidade de ter filhos

Sem filtros, Carlos Costa fala sobre a sua sexualidade, critica os rótulos e defende uma visão livre e fluída das relações, assumindo também o impacto de declarações passadas e da sua própria experiência.

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Carlos Costa não tem dúvidas quando o tema é sexualidade: recusa rótulos e defende uma abordagem livre, longe de definições rígidas.

"[Na minha sexualidade] Nada mudou! Claro que nada mudou! Ao longo dos anos, fiz declarações loucas à imprensa, porque eu simplesmente não tinha juízo. Outras tantas foram deturpadas", começa por esclarecer.

O cantor admite que, ao longo do tempo, a sua visão foi sendo mais consolidada, sobretudo no que toca à forma como a sociedade encara a orientação sexual. "Sempre detestei esta história dos rótulos", afirma, dando exemplos que desafiam categorias tradicionais: "Por exemplo, conheço uma rapariga que transitou para rapaz e que se considera gay, portanto, tem relações com homens e sente-se atraída por homens."

Para Carlos Costa, a realidade é muito mais diversa do que aquilo que muitas vezes se tenta impor: "Desde as pessoas que são liberais, que praticam swing, que têm relacionamentos abertos, às pessoas que seguem os padrões tradicionais da sociedade, como casar, ter um filho, que eu acho super monótomo, com todo o respeito." E reforça: "A sexualidade é uma coisa sem fundo. Não existem esses potinhos do 'és gay' ou 'és lésbica'."

O cantor partilha ainda exemplos próximos que ilustram essa fluidez. "Tenho amigas que toda a vida foram heterossexuais, casadas, e que, entretanto, separam-se e, agora, estão num relacionamento com mulheres."

"Se nunca se provou cenouras, não se pode dizer que não se gosta de cenouras", brinca. E acrescenta, também em tom de brincadeira: "Quem come carne e come peixe, nunca passa fome."

Apesar desta visão aberta, Carlos Costa não deixa de valorizar outras escolhas de vida: "Ainda bem que eu não tenho crianças, mas continuem a fazer crianças, porque precisamos das crianças, elas são o nosso futuro."

Ao mesmo tempo, reconhece em si próprio uma dimensão romântica muito marcada: "Sou muito menina. Desde o ser apaparicado com rosas, com o abrir a porta." Uma vivência que associa ao último relacionamento que teve: "Eu vivi isso durante 10 anos. Tive um príncipe encantado literalmente. Vivi literalmente a história da Cinderela. Isto é um bocadinho de loucos, mas é verdade."

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