Entrevistas

Carlos Costa admite: "Fecharam-me completamente as portas"

Entre recusas no mercado discográfico e novos caminhos profissionais, Carlos Costa fala sobre os desafios na música, os negócios fora dos palcos e a tentativa de reinventar o seu percurso artístico.

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Carlos Costa vive uma fase intensa a nível profissional, dividida entre novas oportunidades, obstáculos no mundo da música e uma forte dedicação aos negócios familiares.

Em entrevista exclusiva à SELFIE, o cantor revela que, apesar das dificuldades no mercado nacional, surgiram oportunidades inesperadas fora do país: "Tenho uma série de propostas internacionais que não estava nada à espera. Ainda não posso contar grande coisa."

No entanto, o cenário em Portugal não tem sido tão favorável. Carlos Costa admite que encontrou resistência por parte das editoras: "Contactei uma série de editoras que fecharam completamente as portas, portanto, em termos de edição, não esperem grande coisa, a não ser que eu me mexa por mim próprio."

O artista acredita que existe uma tendência dominante na indústria que dificulta a entrada de propostas diferentes.

"As editoras estão completamente agarradas a um conceito Carolina Deslandes, Bárbara Tinoco, Bárbara Bandeira. Com todo o respeito, com todo o amor, com todo o carinho artístico, porque eu também adoro e também oiço. Isto não é uma crítica. Eu gosto e oiço na rádio, acho incrível, mas acho que precisamos aqui de umas Pussycat Dolls para abanar a coisa", apontou.

É precisamente essa mudança que gostaria de trazer: "Adorava desenvolver um projeto que fosse muito dentro da onda das Pussycat Dolls, dos anos 2000. Acho, muito honestamente, que a próxima vibe é os anos 2000."

Ainda assim, admite que a resposta das editoras não tem sido positiva. "Contactei as editoras nesse sentido. Umas responderam a dizer: 'Não, obrigado.' Outras responderam: 'Não estamos a colocar artistas novos.' Continuamos, então, com as guitarras e aquela melancolia. E, por aí, ficamos."

Paralelamente à música, Carlos Costa tem investido noutras áreas, nomeadamente no setor imobiliário. "Tenho realmente tanta coisa a acontecer à minha volta. Mais a consultoria imobiliária. Tenho negócios milionários em mãos constantemente, porque trabalho com o mercado imobiliário de luxo."

O dia a dia do artista é ainda marcado por uma rotina exigente nas lojas da mãe, no Porto Moniz. "Há tanta coisa a acontecer. Já fiz de tudo e faço tudo aquilo que for necessário. Se eu vir que um dos meus funcionários está ocupado, vou lá e faço. Não sou o chefe de loja que está ali sentado só a dar ordens. Tenho funções que são minhas que mais ninguém faz, mas se eu estiver livre faço aquilo que for necessário, porque isso vai salvar a equipa e porque isso me vai salvar a mim também e vai salvar a loja também", sublinha.

A ligação ao negócio da família é central na sua vida: "Trabalho em família. Levanto-me todos os dias às 05h00 e deito-me às 22h00 sempre a pensar no que vou fazer no dia a seguir, no que posso fazer para melhorar a empresa da minha mãe. Levanto-me cedo, maquilho-me e tento apresentar-me da forma que acho que é a mais apresentável. Dou esse exemplo aos meus funcionários"

O compromisso é total. "Às 6 da manhã estamos a abrir o estabelecimento e tão cedo não consigo sair dali. A responsabilidade é tanta: desde contabilidade de faturas, fornecedores, defender e balizar problemas que possam causar stress à minha mãe. Toda essa responsabilidade que está em cima das minhas costas, esse peso constante, faz com que, mesmo que eu tenha ali um escape para fazer uma sesta durante a tarde, não vou, porque nunca desligo."

Mesmo com esta carga, a música continua presente, ainda que muitas vezes fora de horas: "Muitas vezes, às 02h00, ainda estou a criar conteúdos para tentar promover, por exemplo, o projeto Uma Voz e Um Piano, que desenvolvi e me fez reavivar para o mundo da música. É um projeto com o Alexey Oleshko, pianista formado no conservatório de Kiev, que aceitou a minha verdade, percebeu em que ponto me encontrava no meio de toda esta história, sem saber exatamente quem é que eu era, qual era o meu peso, ou não, enquanto figura pública."

É nesses momentos que volta a assumir o lado artístico: “É aquele momento em que penso: as lojas estão fechadas, podes ser criativo, podes ser o Carlos que cria, o Carlos artista." E acrescenta: "É aí que crio festas temáticas para os espaços da minha mãe, é aí que tento ensaiar um bocadinho."

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