Crónicas

O convite disfarçado de promessa: um olhar de quem está no mundo da moda há 16 anos

A morte de Carlos Castro não deixou ninguém indiferente por tudo o que envolveu, direta ou indiretamente.

Produtor de conteúdos na SELFIE
  • 12 mai, 15:20

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Muito se tem voltado a falar, nos últimos dias, sobre o mediático assassinato de Carlos Castro por Renato Seabra, em 2011, num quarto de hotel em Nova Iorque. Tudo isto se deve ao facto de o "Observador" ter tido acesso a todo o processo judicial sobre o brutal crime perpetrado pelo, então, jovem aspirante a modelo.

Eu, Ivan Silva, produtor de conteúdos da SELFIE há quatro anos, fui convidado a falar sobre o assunto no "V+ Fama", do V+, desta terça-feira, dia 12. O olhar de quem tem uma carreira, se lhe pudermos chamar assim, no mundo da moda há 16 anos. Sou manequim desde 2010, e, depois de ter estado alguns meses agenciado na Elite, mudei-me para a Face Models, onde ainda continuo.

É fácil um jovem deixar-se levar pelo sonho da fama, da conquista do mundo. Mas cabe ao mesmo ter maturidade e uma base de apoio que lhe permita ver as coisas de outra forma. Será que os convites disfarçados de promessas levam a algum sítio? A resposta é fácil - mas difícil para quem não a quer ver: não. Tudo tem um preço a pagar e muitas vezes essa promessa nem sequer é verdadeira.

Acredito que o que aconteceu com Renato Seabra foi um pouco isto, com um ato de loucura pelo meio. O deslumbramento, a promessa de um caminho facilitado. Não julgo quem convida, como também não julgo quem aceita. Cada um é livre de tomar as decisões que quer. Lamento, isso sim, o fim trágico dessa história. Nada justifica o que aconteceu. Foram duas vidas que se perderam, de formas distintas, mas que se perderam.

Contei, no referido programa, que também cheguei a receber um telefonema do cronista, no verão de 2010, no qual me convidou para um café e para se falar sobre futuros desfiles que estaria a preparar. Não sei como obteve o meu número, apenas nos cruzámos uma vez num evento. Disse-lhe que não seria possível, até porque estava de regresso, naquele momento, à minha cidade natal depois de ter estado em Lisboa a fazer um casting. Mesmo sem maldade, porque esse convite não a teve, senti desde o primeiro momento que não o deveria aceitar. Nunca mais falámos.

O pior aconteceu meses mais tarde, já o crime tinha chocado o país e o mundo. Depois de não ter ficado selecionado para um trabalho, uma outra pessoa minha conhecida disse-me que arranjaria forma de contrariar a situação e que apenas pediria em troca fazer-me um determinado tipo de massagem. Explicou os trâmites da mesma, que não haveria nada de mal e que era uma massagem asiática, se não estou em erro, masculina. Informei de imediato a minha mãe e, ironicamente, disse à pessoa em questão que aceitaria, se ela estivesse presente. "Não, não, não. Assim não pode ser", respondeu-me. Lembro-me de ter soltado uma gargalhada. O assunto morreu ali e as vidas continuaram. E olhando para trás, se tivesse aceitado a proposta, consigo perceber que nada teria mudado no que ao referido trabalho diz respeito.

15 anos se passaram. Depois de já ter feito algumas coisas em moda, em Portugal e no estrangeiro, não poderia estar mais orgulhoso do trajeto que percorri. Conheci pessoas incríveis, o meu agente é o meu melhor amigo, por exemplo, desfilei seguramente mais de cem vezes, fotografei em lugares deslumbrantes.

Convido-o, agora, a ver o vídeo!

Ivan Silva
Produtor de conteúdos na SELFIE

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