Bruno Andrade: "Precisei de perder uma mãe para ganhar um pai"
A morte da mãe de Bruno Andrade significou uma viragem profunda na vida familiar. Se, por um lado, a perda obrigou o jornalista e comentador desportivo a amadurecer rapidamente, por outro, transformou também a relação com o pai.
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Cátia Soares
- 18 mar, 21:34
Comentador desportivo Bruno Andrade abre o álbum de memórias
Bruno Andrade tinha apenas 17 anos quando perdeu a mãe vítima de um aneurisma cerebral. A perda precoce marcou-o profundamente e acabou por desencadear uma mudança no seio familiar.
Em declarações exclusivas à SELFIE, o jornalista e comentador desportivo descreve essa mudança de forma clara: houve, diz, dois momentos distintos na forma como o pai se relacionou consigo: "Existe um pai antes da morte da minha mãe e outro pai depois da morte da minha mãe. O primeiro não era meu amigo. Era disciplinador e distante. O segundo é dos meus melhores amigos. É amável e parceiro."
Olhando para trás, Bruno Andrade reconhece que o processo não foi fácil: "O meu pai sofreu bastante, mas, aos poucos, fez das tripas coração para assumir o papel de pai e mãe ao mesmo tempo."
Segundo o jornalista, esse esforço acabou por aproximá-los de forma inesperada. "Precisei de perder uma mãe para ganhar um pai, sabes?"
Apesar das diferenças que continuam a existir entre os dois, a relação é agora marcada pelo respeito e pela admiração. "Seguimos com as nossas diferenças, e muitas vezes são bem conflitantes, mas aprendi que são elas que nos unem de verdade."
Hoje, Bruno Andrade vê no pai uma das figuras mais importantes da sua vida. "Ele é um exemplo. Um herói."
O orgulho que o pai sente pelo percurso do filho também faz parte dessa ligação reconstruída. "Tem um orgulho absurdo de mim. Aprendemos a entender-nos. Respeitamo-nos."
Atualmente, o jornalista olha para o passado sem ressentimentos. "Serei eternamente grato por tudo aquilo que fez por mim e pelos meus irmãos. Os erros dele comigo? Ficaram todos no passado."
Ao falar sobre o futuro e o desejo de construir família, Bruno Andrade assume ainda: "Quero ser pai. Quero tentar ser o pai que o meu pai foi para mim quando perdemos a minha mãe."
