Bruno Andrade: "Perdi a minha mãe aos 17 anos e fui obrigado a crescer mais rápido do que deveria"
A história de Bruno Andrade no jornalismo começa muito antes das redações, dos estádios e das entrevistas a algumas das maiores figuras do futebol mundial. Começa em Lorena, no interior de São Paulo, e está profundamente ligada à figura da mãe.
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Cátia Soares
- 21 mar, 19:46
Comentador desportivo Bruno Andrade abre o álbum de memórias
O jornalista e comentador brasileiro Bruno Andrade não tem dúvidas em apontar quem esteve na origem da sua vocação. "A minha falecida mãe. Sem dúvida, a minha maior inspiração para mergulhar com tudo e sem medo no mundo do jornalismo", afirma, em entrevista exclusiva à SELFIE.
Recorda-a como uma figura marcante: "Era professora de Língua Portuguesa. Uma mulher espetacular. De muita fibra, dentro e fora de casa. Em resumo: a incentivadora perfeita."
Bruno Andrade tinha apenas 17 anos quando a perdeu de forma inesperada, vítima de um aneurisma cerebral. "Ela morreu com 49 anos, muito perto de completar 50 - teria sido uma grande festa. Faleceu a dormir, em casa", recorda.
Na véspera da morte, tiveram uma conversa aparentemente banal que, anos mais tarde, ganharia um significado especial. Nessa altura, o agora jornalista e comentador desportivo disse-lhe que, um dia, iria trabalhar no LANCE!, um dos maiores jornais desportivos do Brasil. "Uma conversa totalmente despretensiosa. Dito e feito. Destino…"
A perda precoce marcou-o profundamente e acabou por desencadear uma transformação interior. "A partir dali, começou a surgir um outro Bruno…", conta.
Esse processo foi feito de dor, mas também de crescimento e reflexão: "Um Bruno que seguramente me dá mais orgulho, e que daria mais orgulho a ela também. É um sentimento maluco, agridoce, até certo ponto injusto, mas é a pura verdade."
Sem a presença da mãe, viu-se obrigado a crescer mais depressa do que esperava. "Aprendi a encarar o mundo de outra forma. Uma forma melhor, acredito. Ser mais independente. Ser mais pragmático. Em determinadas alturas, ser mais racional e menos emocional."
Ao mesmo tempo, reconhece que essa perda lhe trouxe uma espécie de resistência emocional: "Ganhei uma armadura ímpar para brigar com os meus próprios fantasmas. Fui obrigado a crescer mais rápido do que deveria."
Apesar dos anos passados, a memória da mãe continua muito presente e há uma pergunta que insiste em regressar: "Como seria eu se ela estivesse viva até hoje?"
Uma resposta que, Bruno Andrade admite, prefere não conhecer: "De vez em quando, tenho muito medo do homem que poderia ter sido. Prefiro não conhecer essa minha outra versão. Estranho, não?"
