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Toy esclarece discurso sobre boicote à Eurovisão: "Gostaria que mais pessoas dissessem as verdades"

Em direto na TVI, Toy falou sobre a ida dos Bandidos do Cante ao Festival Eurovisão da Canção, cuja organização tomou a polémica decisão de manter Israel na competição.

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Toy foi um dos protagonistas da oitava edição dos Play - Prémios da Música Portuguesa, que se realizou, na passada quinta-feira, dia 23, no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. No momento em que se preparava para entregar o galardão de Melhor Canção Ligeira e Popular a "Oh Clementina", de Khiaro, Luís Fialho e Marotos da Concertina, o artista falou sobre a vitória dos Bandidos do Cante no Festival RTP da Canção, o que os levará a representar Portugal no Festival Eurovisão da Canção.

"Percebo que a rapaziada precise de se mostrar. Está no início da carreira, é bom para eles e acho que fazem muito bem. Só que nunca digam que a cultura e a política não se misturam", criticou Toy, defendendo: "A cultura é a melhor arma contra alguns sistemas políticos, como o assassino de crianças de [Benjamin] Netanyahu e como o son of a b**** Donald Trump - em português, filho da p***."

Nesta segunda-feira, dia 27, o músico esteve no "Jornal Nacional" para esclarecer estas palavras, interpretadas como uma crítica aos jovens que vão levar a bandeira do nosso país à Eurovisão, mas também à organização do próprio certame, que manteve Israel na competição, apesar da guerra e do genocídio em Gaza. De resto, cinco países já anunciaram que não vão a concurso - Portugal, através da RTP, optou por continuar.

"Na idade deles, faria o mesmo e estava-me nas tintas para a política. Há uma frase em que eles dizem 'Nós vamos porque a cultura e a política não têm nada a ver uma coisa com a outra'. Eu só critiquei essa frase. Porque eu acho que a cultura e a política têm tudo a ver. Durante 48 anos, foi a cultura o maior combatente contra o fascismo. Tivemos Zeca Afonso, Sérgio Godinho e até o teatro de revista, que era considerado teatro menor", elencou Toy, em entrevista a Sandra Felgueiras.

O artista não tem dúvidas: "neste momento", se estivesse no lugar dos Bandidos do Cante, "não iria" ao festival. Mas deixou claro: "Não os critico e nunca os criticarei, porque acho que, na idade deles, provavelmente, também quereria ir, aparecer e ser famoso. Porque é isso que fazemos durante a nossa vida. Queremos ser cantores, queremos aparecer, queremos ser conhecidos... Eu nunca criticaria essa rapaziada. Agora, eles não precisavam de ter dito que a cultura e a política não se misturam. É aí que está a minha crítica."

Em direto na TVI, o músico disse ainda sentir "falta" que mais vozes se imponham em relação a este assunto. "Gostaria que mais pessoas dissessem as verdades", afirmou, falando ainda sobre a decisão tomada pelo operador público de media: "Teria muita vontade que a RTP tivesse a coragem de não participar. Não conheço os meandros. Portanto, estou, neste momento, a pensar em como poderiam fazer algo para manifestar uma vontade que não acontecesse. Mas não sei como o fazer..."

Com o tema "Rosa", os Bandidos do Cante sobem ao palco do Wiener Stadthalle, em Viena, Áustria, na primeira semifinal da Eurovisão, a 12 de maio. No dia 14, decorre a segunda semifinal, estando a derradeira fase do concurso marcada para o dia 16.

Veja, agora, o vídeo com todas as declarações de Toy.

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