Numa conversa sem filtros com a SELFIE, Anuska Marques contou como o aumento de peso afetou profundamente a sua imagem e o seu bem-estar emocional, levando-a a procurar ajuda. A ex-concorrente do "Big Brother - Duplo Impacto" revela, em exclusivo, os motivos por detrás da decisão, os desafios da recuperação e as mudanças que fez - e continuará a fazer - para se sentir de novo confiante e saudável.
Nos últimos meses, tem estado mais ausente das redes sociais. Sabemos que enfrentou um problema de saúde que a levou a ganhar algum peso. O que nos pode contar sobre esse diagnóstico?
Tenho hipotiroidismo, uma doença do sistema endócrino em que a glândula tiroide não produz hormonas da tiroide em quantidade suficiente. Pode causar uma série de sintomas, como a falta de tolerância ao frio, fadiga, obstipação, depressão e ganho de peso.
O que a levou a suspeitar que algo não estava bem?
Descobri que tinha hipotiroidismo depois de umas férias de verão. Realmente, as suspeitas começaram no início de setembro do ano passado, mas o diagnóstico foi em outubro. Sentia coisas que não eram normais. Na altura, após as duas semanas de férias que tive, eu engordei muito, cheguei a pensar que era da alimentação que não tinha sido propriamente a melhor, mas a isso juntou-se as mudanças de humor, o cansaço, o não ter vontade para fazer as coisas e o frio que tinha numa época de verão com temperaturas altíssimas. Nada disso era normal. Até que um dia decidir marcar uma consulta médica e, realmente, todos esses sintomas eram suspeitas de hipotiroidismo. Após uma tentativa de dieta (sem sucesso) para baixar o peso, vieram análises e análises para fazer, e, após a realização de três análises, foi-me dito que sim, tinha esse problema de saúde, e tinha que tomar medicação para sempre. Uma medicação própria para regular a tiroide. E é o que estou a fazer.
Que tratamento faz atualmente?
Hoje, para estabilizar o problema de saúde, faço a minha medicação diária em jejum. Acordo, tomo a medicação e, só depois de 30 minutos, é que posso tomar o meu pequeno almoço. Controlo também a alimentação e hidrato-me o suficiente. Stress é uma das coisas que tenho que evitar ao máximo e fazer análises para ver como está a situação é umas das coisas que agora irá fazer parte da minha 'rotina'.
Como viveu este último ano e em que medida este problema de saúde afetou a sua autoestima?
Vivi com tristeza. Foi muito intenso. Sempre fui de cuidar de mim e de querer estar bem. Ver o meu corpo e saber que me estava a afetar, não só fisicamente mas principalmente psicologicamente, foi assustador. Porque, à parte do meu problema de saúde, eu também comia muito mal. Não comia coisas saudáveis e tinha essa consciência. Entrei num bloqueio do qual não conseguia sair.
Mesmo na sua relação amorosa, sentiu que isto podia afetá-la?
Nunca. Graças a Deus, tenho um namorado exemplar e somos muito cúmplices. Nunca me disse que eu estava 'gorda' ou deu a entender que estava acima do peso. Não, pelo contrário, sempre me deu força. Quando nada me servia, ele dizia: 'Não te preocupes, vamos ao shopping e de certeza que há algo de que gostes e sou eu que te vou oferecer'. Não é o facto de ele me oferecer a roupa, mas o detalhe e a forma como ele sempre tentou puxar-me para cima. Todos os dias me elogiava. Quando temos alguém assim ao nosso lado ajuda muito.
Sabemos que as pessoas podem ser muito crueis nas redes sociais. Sentiu necessidade de "esconder" e viver isso em silêncio para se proteger?
Sem dúvida. Se bem que, no meu caso, foi diferente. Ironicamente, as pessoas estavam contentes por um suposto bebé que não existia. Mas até isso, quando uma pessoa está mais vulnerável e não se sente bem consigo própria, magoa. Então, decidi viver tudo em silêncio, nunca partilhava conteúdos em que mostrasse a barriga, ou, se partilhasse, tentava esconder. Cheguei até a editar vídeos e fotografias para parecer mais magra, esta é a realidade.
Mesmo as pessoas que nos conhecem tendem a opinar. Teve necessidade de explicar a essas pessoas o que estava acontecer?
Sim, aconteceu-me duas vezes com pessoas bem próximas de mim, uma delas da família. Disse que eu estava mais 'gordita', como se fosse uma palavra bem tranquila para uma pessoa que engordou 15 quilos. Aí expliquei, expliquei a situação e o porquê de estar mais 'gordita'.
Até que decidiu avançar para uma cirurgia, mas já lá vamos, até porque, antes, teve de perder algum peso. Como foi esse processo?
Tive de realizar tudo o que o médico me pediu. Sem falhas. Tive a primeira consulta com o Dr. Emílio Valls, pesei-me e ele viu o que podíamos fazer para melhorar o meu físico e, principalmente, a minha saúde. Definiu que eu tinha obrigatoriamente de perder, no mínimo, seis quilos para poder realizar a cirurgia. Foi aí que ele me passou uma dieta equilibrada e me pediu para realizar exercício físico. Num mês, e cumprindo o que me foi pedido, consegui 'abater' esse valor e ainda melhorar as minhas análises, que estavam consideravelmente más antes de todo o processo. Entretanto, tive outra consulta na Clínica Luso Espanhola para controlarmos o peso, verificar as análises e os exames pedidos, para, depois, o Dr. Emílio Valls poder dar o 'ok' e avançarmos com a cirurgia. No dia da cirurgia, foi tudo bem simples: fui em jejum, falei com o Dr. Emílio Valls e com o anestesista e passei para o bloco operatório. Cada processo vai depender sempre do caso em si. O meu foi diferente do habitual, porque, além de ter um 'pequeno entrave' de saúde - o hipotiroidismo -, estava com peso acima da média. Já estava a entrar no grupo dos obesos, obesidade nível I.
Como surgiu a decisão de avançar para uma lipoescultura?
Respondendo da maneira mais sincera possível, eu não me sentia bem com o meu corpo, não estava bem. A autoestima que tinha caiu completamente. Engordei 15 quilos no espaço de oito meses. Cada vez que me olhava ao espelho ou que vestia uma roupa e ela não me servia, passava mesmo muito mal. Eu sempre fui de cuidar de mim, por isso, chegar a este ponto foi assustador. Não me sentia eu. Senti que só tinha duas hipóteses: ou mudava ou cada vez ia piorar mais, não só a nível físico, mas também a nível emocional. Não podia permitir isso, daí querer mudar a minha situação e ir à procura de ajuda e de uma solução.
Estava nervosa?
Não estava nervosa. Tinha consciência de que tinha feito tudo aquilo que me foi pedido até ao dia da cirurgia. Não pensem que é só marcar a cirurgia e já está. Não. Existe todo um processo, há toda uma preparação para tudo correr bem e não haver riscos na cirurgia e no pós cirurgia.
E a recuperação como está a ser?
Saí da clínica pelos meus próprios pés, a caminhar. A verdade é que sempre pude caminhar tranquilamente. Nos dois primeiros dias é que senti muita dor, não vou negar. Mas, lá está, é normal, mexeram-me em 80% do corpo, não podia estar propriamente 'nas nuvens'. Posso dizer-vos que, após os primeiros dias, tive uma recuperação bastante boa e rápida. Ao quinto dia, já estava a fazer a minha primeira drenagem.
Que cuidados vai ter de ter a partir da cirurgia?
Agora, tenho que andar com uma cinta modeladora e com umas talas de esponja para fazer pressão na zona da cintura/barriga e uma almofada na zona da lombar. Tudo para modelar. A nível de autocuidado, tenho de continuar a fazer uma dieta equilibrada, a hidratar-me bem, a beber a água necessária para o meu organismo. Devo começar a fazer pequenas caminhadas e a fazer muitas sessões de drenagem linfática para poder moldar o corpo, evitar fibroses e acelerar a recuperação.
O que está a pensar mudar na sua rotina para manter os resultados?
Não ter uma vida tão sedentária como tinha nos últimos meses. Pretendo ficar ativa e voltar a ser a Anuska de antes, que nunca parava.
Esta é uma mudança profunda, não só estética, mas também pessoal?
É toda ela uma transformação. Eu precisava desta mudança para me sentir eu, para me sentir bem. Já chorei durante por muito tempo. Agora, é tempo de voltar a sorrir e de seguir em frente.
