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Júlio Isidro desabafa sobre morte de cantor português: "Em pouca vida, deu-nos tanto"

Foi no Facebook que o apresentador Júlio Isidro deixou um desabafo, a propósito de um cantor português.

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Se vivo fosse, António Variações teria completado 81 anos de vida no passado dia 3 de dezembro, uma data que foi destacada por Júlio Isidro na respetiva página de Facebook.

"Se a vida é dar e receber, o António, em pouca vida, deu-nos tanto e continua a receber o louvor saudoso dos que com ele conviveram. O tempo passa e o António fica, agora para muitos outros que só o ouviram pela primeira vez, depois da sua partida no dia de Santo António de 1984", começou por recordar Júlio Isidro.

De seguida, o apresentador desfiou memórias sobre António Variações: "Esta é uma história de que me orgulho. Estive com ele no princípio e no fim. No dia 3 de dezembro de 1944 em Fiscal, Amares, a senhora dona Deolinda de Jesus deu à luz um rapaz de seu nome António Ribeiro, que lá em casa passou a ser o Tonito. Entre tantos irmãos foi o que partiu à descoberta do mundo. António descobria o mundo e eu, num corte de cabelo, descobri o António."

"Estreou-se em 1981 no meu programa 'Passeio dos Alegres', calça de balão aos quadrados e uma banda onde não faltava um transformista vestido de bailarina. Nesse domingo, conquistou o país, uns porque sim, outros porque não, o que era aquilo? Era Variações. Para ele, o apelido significava elasticidade criativa, liberdade e um estilo fora de todos os estilos. Lançou 'Comprimidos' ao público presente, e todos nós ficámos estimulados na sua onda de surfar a diferença", garantiu, antes de continuar a recordar: "Também havia bom gosto e elegância no António, que nunca mais me cortou o cabelo. Mas passou por todos os meus programas nos breves quatro anos da sua vertiginosa carreira. E fui ao Trumps entregar-lhe um disco de ouro com muito prazer e orgulho. E recebi-o no Festa Continua, onde se queixou de uma gripe, mas não deixou de actuar. Ele sabia o significado condenatório do 'Corpo é Que Paga', mas contava com um 'Anjinho da Guarda' para o deixar fazer hoje o que era 'Pr'á Amanhã'."

De seguida, Júlio Isidro assinalou: "Naquela tarde de maio de 1984, no estúdio do meu Passeio dos Alegres, saiu de cena e a última imagem é a sua silhueta por detrás do pano num gesto de adeus. O que seria o António, hoje com 81 anos? Decerto em permanente exaltação criativa, com o computador cheio de novas cantigas, indiferente às modas, aos conservadorismos, aos velhos do Restelo, aos movimentos que em nome de uma especial moral, pretendem retirar o direito ao amor a quem ama sem fronteiras."

"Nasceu a 3 de dezembro e não consta que tenha morrido, porque continuamos a ouvi-lo numa 'Canção do Engate'. A breve carreira foi um ato de sedução, um engate coletivo. O António Variações, de que me orgulho ter dado a mão, não estará 'Sempre Ausente'. Ele, que talvez adivinhando uma enxaqueca, me disse por música 'Toma o Comprimido'", afirmou, antes de concluir: "Sim, o António era de 'Dar e Receber'. Não ostento o galardão do lançador do notável artista, mas estou grato à vida por me ter dado a oportunidade de dar uma oportunidade ao artista. O resto é esquecimento, mas como ele cantou... 'Não Perdi a Memória'."

Veja, agora, algumas das melhores imagens de Júlio Isidro nas galerias de fotografias que preparámos para si.

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