António Raminhos fez um sentido desabafo, nas redes sociais, relacionado com a forma como vive a época natalícia.
"Não sei o que são Natais sem medos ou obsessões. Aliás, foi exatamente há uns 20 anos que, numa noite de Natal, entrei em pânico com um medo e passei duas noites a vomitar e achar que iria morrer. Foi essa noite também que me levou ao psicólogo para lidar com isto. Mas todos os anos, esta é uma época crítica. Hoje, já achei que iria morrer por contágio, já mudei de roupa duas vezes por achar que estava contaminado, quando dou por mim estou a lavar as mãos ou noutro ritual de limpeza... Todos os anos são assim, por isso não aprecio o Natal", começou por escrever o humorista.
"É a época de felicidade, do convívio, mas a minha cabeça muitas vezes acredita que a felicidade ou o estar sem preocupações é para os outros. Não posso baixar a guarda e se baixar é só para confirmar que qualquer desgraça vai acontecer. É o modus operandi da cabeça de alguém com ansiedade ou transtorno obsessivo-compulsivo. Já foi pior. Vou conseguindo parar os rituais, aceitar sem julgamento os que faço e respirar fundo para evitar os outros. Procuro estar o mínimo tempo possível nestes lugares na minha cabeça", continuou António Raminhos.
"Queria estar melhor? Sim. Pergunto-me por que é que simplesmente não posso ter um Natal normal? Também. Mas já não me preocupo tanto com as respostas. É o que é. Tento preocupar-me mais em saber se há rabanadas suficientes e se alguém vai trazer lampreia de ovos. Esta é a minha verdadeira mensagem de Natal para quem lida com estas questões. É o que é... seguir caminho, mas ligados ao que está realmente a acontecer. Os 'e se' não existem além da nossa cabeça. É uma pergunta que nos tira do presente, porque o presente esse não deixa dúvida. Vão lá comer lampreia e rabanadas e sonhos e isso tudo", rematou.
Veja, agora, a publicação.
