"É uma m*****. Não há outra maneira de dizer isto. Quando se lida com a perturbação obsessiva-compulsiva (e ansiedade), há sempre um arquirrival. Um medo que se destaca dos outros. Pode ser o medo de ter feito mal a alguém, de pensamentos pouco puros, de uma doença específica, um tipo de lugar, objeto, pessoas… qualquer coisa. Tenho medos de contaminação e estão mais ativos. Não sei porquê ou, se calhar, até sei. Porque, supostamente, está tudo bem. A vida segue tranquila. E estar tranquilo, por alguma razão na minha cabeça, é perigoso. Aumentei rituais que já não tinha, como limpar demasiado as coisas, lavar as mãos mais do que é suposto, atento a tudo, picos de ansiedade. Na última semana, vivi dois episódios tão intensos que no primeiro tive de tomar ansiolíticos e, no segundo, com a descarga de adrenalina, acabei por adormecer 20 minutos, logo a seguir", começou por referir António Raminhos.
"Vem a irritação, o porquê eu, porquê agora, porquê outra vez, porque é que não acaba, porquê… E é aqui que digo: pára! O julgamento, a autocomiseração, o alimentar os 'e se…. '. 'Liga-te', diz o meu psicólogo. Liga-te ao presente não aos pensamentos e à ruminação. Não estabeleças diálogos com a tua cabeça. Aceito que não estou onde quero, mas é só isso. Faz parte. Abraço-me como quem abraça um amigo em apuros. 'Bora lá…', fé no processo. Tenho a clara ideia de que estes momentos mais intensos visam relembrar-me o que quero. Respiro fundo, como quem quer aceitar a dúvida da vida e seguir em frente. A consciência e a terapia ajudaram-me a chegar até aqui, mas depois há que colocar em prática. No meu caso, estar atento aos rituais, se calhar perguntar por que motivo é que estou a fazê-los naquele momento… continuar a treinar, escrever, sair de casa, brincar, não deixar de fazer o que gosto. No fundo, viver!", acrescentou.
"Partilho isto, porque há muita gente no mesmo lugar que eu, uns melhores, outros piores, mas ninguém está sozinho. Ninguém é insignificante, todos temos um papel, é o medo, o cansaço, a ansiedade que nos fazem ver tudo isto de outra forma. Lembrem-se, o que define os pensamentos é importância que lhes damos. Sei que vou voltar a locais, mentais e reais, que não quero... mas quero que seja cada vez menos tempo. E ligo-me", completou.
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