O Natal está aí à porta e a SELFIE quis saber como é que Adriano Silva Martins vive esta quadra festiva.
Como vai ser o seu Natal? Onde e com quem?
Vamos passar em família, vai ser tranquilo. Serei eu, a minha mãe, a minha irmã e o meu cunhado. Infelizmente, o meu irmão Alex este ano não pode vir. Espero que, para o ano, esteja connosco também. Somos poucos, mas somos bons. Vamos passar numa casa de campo que temos perto de Tomar. É o meu segundo Natal nesta casa. O primeiro foi quando apanhei Covid e tive de passar lá o Natal sozinho. Este ano, por pedido da minha mãe, que se sente mais confortável lá, prefere que estejamos lá. Prefiro sempre na nossa casa da Chamusca, que é onde, para mim, o significado de casa faz todo o sentido. Mas a minha mãe pediu e eu faço tudo por ela.
O que não pode faltar na sua mesa?
Presunto ibérico, foie gras. Depois, nas sobremesas, marron glacé, que é uma coisa que já tenho alguma dificuldade em encontrar. Já é difícil encontrar um bom marron glacé. Desde criança que como compulsivamente.
A sua família rege-se pela cultura espanhola ou portuguesa?
A minha mãe é espanhola, o meu pai era português. Diria que o meu Natal é mais português. Na culinária, tem uma certa influência espanhola. Aliás, às vezes, dispensamos o bacalhau, mas, este ano, a minha mãe fez questão que fosse bacalhau, porque ela não mora em Portugal e não comia há imenso tempo. Em Espanha, não há tanta tradição de comer bacalhau. Este ano, vamos juntar o bacalhau, mas não costuma ser o prato principal lá em casa. Costumamos jantar mais carnes de caça, como codorniz, perdiz ou faisão. É algo muito castelhano, a família da minha mãe é de Toledo e temos muito essa tradição. De resto, diria que tanto na forma como vivo o Natal, como em questões ligadas à doçaria é muito mais português. Os espanhóis são muito barulhentos no Natal e nós, graças a Deus, somos mais sossegados [risos].
Qual foi a prenda de Natal que mais o marcou?
Várias, mas lembro-me perfeitamente de me oferecerem uma bíblia ilustrada, que tinha umas ilustrações fantásticas. Ficava espantado e, às vezes, até um pouco assustado, no que diz respeito à parte do Antigo Testamento. Foi, com certeza, um presente que me marcou. Lembro-me, também, de a minha mãe me dar uma máquina fotográfica, quando tinha nove ou 10 anos. Em 1989, ofereceram-me um disco em vinil da Madonna, o "Like a Prayer". É a minha cantora preferida. Lembro-me que o recebi com uma enorme satisfação.
Nestas alturas, as saudades batem à porta. Como lida com isso?
Lido bastante bem. Lembro-me dos meus avós paternos e do meu pai todos os dias. São três pessoas que me marcaram muitíssimo. O meu avô José morreu quando eu tinha oito anos e todos os dias me lembro dele. A minha avó morreu bastante mais tarde e o meu pai há nove anos. Lembro-me muito deles, a casa da Chamusca era a casa dos meus avós. Tenho saudades desses tempos, em que éramos mais.
