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Júlio Isidro sobre conhecida atriz: "Foi a praga da Covid que lhe cortou o sorriso na Casa do Artista, onde repousava"

Foi no Facebook que o apresentador Júlio Isidro deixou um desabafo sobre uma atriz bastante conhecida.

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Habitualmente, Júlio Isidro transforma a respetiva página de Facebook num baú de recordações, destacando, por exemplo, o percurso e as histórias de artistas já falecidos.

Foi o que aconteceu mais uma vez, recentemente, quando o apresentador falou sobre Adelaide João, falecida em 2021.

"Costuma acontecer-me: 'Gosto taaanto de si! Com a idade que tenho não fica mal dizer isto, pois não?' - diz-me a senhora de cabelo branco e sorriso franco. Concordei. Depois numa esquina de rua: 'Olha o meu amor da televisão! Gosto tanto de o ver trabalhar' - a senhora largou uma gargalhada e eu também. Foi por estas frases que tantos conhecemos (que a mim só me dão alegria, mas não me enchem o ego de pseudofama) que criei uma personagem para a Adelaide João integrar o 'Passeio dos Alegres', já lá vão mais de 40 anos", começou por assinalar Júlio Isidro.

De seguida, o comunicador recordou: "Passou domingos e domingos a entrar em cena com o chavão: 'Desculpem se incomodo...". A pedir autógrafos aos artistas que costumavam dar na TV. A Adelaide João (1921/2021) era uma atriz e o convite aceite foi uma honra para mim. Contudo, fazia este papelinho com um entusiasmo total, sem overacting e perguntava sempre no final do programa se tinha sido como eu desejava."

"A Lai Lai está na história de teatro, televisão e cinema que não passa apenas por umas gracinhas tipo 'Batanetes', embora tudo fizesse com igual profissionalismo. Estreou-se em televisão em 1960 com a peça 'Fim de semana em Madrid' sob a direção de Artur Ramos, esse mesmo ano em que apresentei o meu primeiro programa juvenil. Depois, foi o Teatro Nacional D. Maria II, o Teatro da Trindade, e a partida para Paris com uma bolsa da Gulbenkian. Em França, trabalhando com companhias locais, aprendeu e apreendeu muito. De volta às origens, teve o nome ligado à primeira telenovela portuguesa, 'Vila Faia', em 1982, seguindo-se dezenas de outras. Passou e marcou no Teatro Experimental de Cascais, Teatro Maria Matos, Teatro Estúdio de Lisboa e o Bando para onde entrou já com 69 anos até à despedida dos palcos. Este grupo teatral deixou-lhe palavras comoventes: 'Grande mulher, carismática artista, no teatro o Bando e no coração dos teus amigos, terás sempre reservado o teu lugar.'", assinalou, antes de destacar: "Voltou a trabalhar comigo no 'Festa é Festa' e no 'Antenas no Ar', no qual fazia um telespetadora de gostos muito especiais. A ficha de cinema é um conjunto de trabalhos notáveis nacionais e estrangeiros sob a direcção de grandes realizadores."

"Faltavam sete meses para a Lai Lai perfazer 100 anos que iria completar com aquele ar displicente de quem não liga a essa coisa sempre inoportuna que é a morte. Foi a praga da Covid que lhe cortou o sorriso na Casa do Artista, onde repousava. Eu que gostaria tanto de pedir um autógrafo à Lai-Lai, tenho de adiar o desejo, mas isso irá acontecer um dia... Então dir-lhe-ei :'Gostei tanto de a ver trabalhar comigo. Não incomodo, pois não?'", completou.

Veja, agora, algumas das melhores imagens de Júlio Isidro nas galerias de fotografias que preparámos para si.

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