Cândido Pereira está a dar que falar, na sequência de declarações feitas pelo próprio na emissão desta segunda-feira, dia 26, do programa "Extra", dedicado a "1.ª Companhia".
O painel de comentadores discutia a reação de Noélia Pereira a uma imitação de Manuel Melo quando o jovem afirmou: "Eu sou empático e percebo que a Noélia tenha passado por uma situação com um irmão que, pelo visto, tinha algum tipo de deficiência. Isso fê-la viajar para uma altura da vida dela que não é agradável. Eu entendo isso tudo. Mas os outros não têm culpa, nem são bruxos. O Manuel Melo é um artista, mais comediante, que faz personagens muito cómicas."
"Qual é o problema de nós brincarmos, seja com o que for, hoje em dia? Qual é o problema de eu brincar com uma pessoa que tem cancro ou uma deficiência? Isso não faz de mim menos empático. Aliás, se calhar, até faz mais. Quantas pessoas que têm cancro ou deficiências querem que se façam piadas sobre isso para suavizar as coisas? Quantas? Hoje em dia, não se pode dizer nada, não se pode fazer nada... Hoje em dia, há muita flor de estufa. Não é o caso da Noélia, mas há muita virgem ofendida neste país e no mundo. Nós somos livres de brincar com o que nós quisermos, porque isso não é o que sentimos. É uma forma de brincar", argumentou Cândido Pereira.
A repercussão destas palavras fez o comentador do reality show da TVI recorrer ao Instagram, esta terça-feira, dia 27, para publicar uma "nota de esclarecimento": "Nas últimas horas, surgiram interpretações e reações a declarações minhas sobre humor e liberdade de expressão. Quero deixar claro que nunca foi minha intenção desvalorizar experiências pessoais, dor, doença ou qualquer tipo de deficiência. Muito pelo contrário: a empatia esteve sempre na base daquilo que disse."
"A minha intervenção teve como objetivo refletir sobre o papel do humor enquanto ferramenta cultural, muitas vezes usada para lidar com temas difíceis, normalizar conversas desconfortáveis e, em certos contextos, ajudar a aliviar a carga emocional que eles transportam. Reconheço, no entanto, que o humor não é vivido da mesma forma por todas as pessoas e que diferentes experiências geram diferentes sensibilidades. Respeito isso plenamente. Não falei, nem falo, em nome de ninguém. Falei apenas da minha visão enquanto profissional da comunicação e cidadão, defendendo que o diálogo e a liberdade criativa devem coexistir com empatia e respeito", defendeu.
"Se as minhas palavras causaram desconforto a alguém, lamento sinceramente esse impacto O debate é legítimo, mas acredito que pode e deve ser feito com humanidade, sem ataques pessoais nem leituras de má-fé. Da minha parte, continuo disponível para ouvir, refletir e conversar", disse ainda Cândido Pereira.
