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Daniela Melchior sobre trabalhar em Hollywood: "Não imaginava ser possível"

Igor Pires
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Com apenas 23 anos, Daniela Melchior dá cartas na representação em Portugal e em Hollywood. À conversa com a SELFIE, a atriz revelou-nos algumas curiosidades sobre trabalhar na "Meca do Cinema" e explicou como este convite tem tanto de inesperado, como de importante. 

Como surgiu este convite para trabalhar em Hollywood?

Foi mesmo muito inesperado. Estava a acabar de gravar a novela "Valor da Vida" e, antes, tinha feito um filme português, "Parque Mayer", e o manager baseado em Los Angeles contactou a minha agente, porque viu o trailer do filme e disse que gostava muito de me representar internacionalmente e que estava a receber muitos pedidos de casting de raparigas com a minha idade, com o meu tipo de imagem, e internacionais. 

Então, eu e a minha agente pesquisámos sobre este manager, fizemos algumas chamadas via Skype com ele para perceber se estávamos alinhados, se pensávamos da mesma maneira em relação ao mercado e àquilo que ele me via a fazer. Percebemos que era a pessoa ideal para me levar para os Estados Unidos da América. Fui fazendo self tapes, que são castings feitos em casa. A self tape para o filme "Esquadrão Suicida" foi a terceira que fiz desde que acabei a novela e, passado uma semana, chamaram-me para ir lá fazer o casting presencialmente.

Nesse momento, o que é que pensaste? 

Pensei: "Ai, meu Deus do céu, como assim?!". Primeiro, tinha acabado de chegar da Tailândia e, como estava de férias, não tinha feito algumas self tapes. E a minha agente mandou-me uma mensagem a dizer: "Daniela, tu tens de fazer essa self tape, porque senão o manager vai desistir de te enviar". É como os castings em todo o lado. Se veem que as pessoas não estão disponíveis, já não pedem sequer. E eu pensei: "Pronto, não tive tempo nenhum para decorar isto, mas vou dar o meu melhor e depois vê-se".

Das self tapes que fiz até esse dia, foi aquela em que eu estava menos preparada e eles adoraram isso! (risos). E quando eu fui conhecer o realizador e o produtor executivo, eles disseram que adoraram a self tape e que queriam que corresse o melhor possível, mesmo na audição em si. Não queria acreditar, porque, de facto, não estava mesmo preparada para fazer essa self tape

Mas, por vezes, o facto de não estarmos preparados faz com que tudo seja mais natural...

Exato, eles falaram muito disso! Disseram que havia uma naturalidade que eles procuravam para a personagem que não tinham visto em 300 atrizes norte-americanas. 

Depois de teres ficado com o papel, qual foi a sensação de teres ido para Atlanta?

Mal soube que tinha ficado com o papel em abril, não pude confirmar a ninguém. Ainda fiquei um tempo à espera de receber a última versão do argumento para poder começar a trabalhar...

E como é que se guarda esse segredo?

Exato, como é que se guarda esse segredo! E eu já tinha colegas a darem-me os parabéns, por estarem felizes por mim, e eu não podia responder, porque, se eu agradecesse, já estava a confirmar. Ainda por cima por escrito. Então, não pude responder a ninguém. 

Entretanto, recebi o argumento e fui de férias para o Algarve. Aproveitei para estudar e trabalhar o argumento o máximo que pudesse. Ao preparar a viagem, o mais complicado foi fazer as malas. Muitas malas para muitos meses! (risos). 

Quando lá chegaste, como foi tomar contacto com uma equipa completamente nova? Quais são as principais diferenças nas formas de trabalhar, comparando com Portugal?

A maior diferença é o orçamento, o que acaba por afetar todos os departamentos. Além disso, lá há pequenos pormenores na organização que, se acontecessem em Portugal, iriam facilitar a vida às equipas, no geral. 

E como é que foi trabalhar numa língua diferente?

Mal soube que fiquei, falei com o meu manager e disse-lhe que ia tentar fazer o meu melhor, começar a ver mais séries sem legendas, arranjar um coach de sotaque em Portugal... E ele disse que ia tentar falar com a produção para perceber se isso seria mesmo necessário. Depois, percebi que não era, porque uma das coisas que os levou a escolher-me foi, também, o meu sotaque, que eles acharam muito diferente. Eles dizem que o inglês com sotaque português é mesmo muito bonito. Por isso, não foi preciso preparar-me para ter de falar inglês e eles percebem tudo o que eu digo.

Sempre tinha sido um sonho conquistar novos palcos e ter esta carreira internacional?

Não... Por acaso, não. Lá está: para mim, foi sempre algo que não imaginava ser possível... No máximo, uma utopia que pudesse ter em Portugal seria focar-me só no cinema e nunca tinha posto a hipótese de trabalhar em Hollywood. Gostava de trabalhar aí, mas encarei sempre como algo distante. 

E, agora que aconteceu, como está a ser viver esta experiência?

Não podia estar mais feliz, estou a gostar mesmo muito de fazer o "Esquadrão Suicida". O elenco só tem pessoas maravilhosas e o realizador é muito, mas mesmo muito querido. Estou a adorar.

Veja, agora, a entrevista exclusiva de Daniela Melchior, na íntegra, nos vídeos.