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Cláudia Lopes: "Fora da televisão, sou a pessoa mais normal do mundo"

Cláudia Lopes

Cláudia Lopes está de regresso à TVI, para apresentar o MaisFutebol, e a SELFIE quis saber de que forma a jornalista viveu os desafios dos últimos tempos... e até descobrimos que tem uma paixão secreta!

- Como foram os últimos tempos de confinamento?

Estive em confinamento de 13 de março até meados de maio. Tenho o privilegio de não morar na cidade, portanto, tenho mais liberdade para os passeios higiénicos e para andar de bicicleta à porta de casa, porque moro, literalmente, quase dentro do pinhal, mas levei o confinamento à risca, porque acho que essa é a responsabilidade que temos que ter, nomeadamente, pelos mais velhos, mas, acima de tudo, por quem, todos os dias, se levanta para ir trabalhar num hospital a salvar a vida daqueles que lá vão parar.

- O que mudou na sua vida ou o que tem sido mais difícil? Algum episódio mais marcante?

O mais difícil foi estar longe da minha família, dos meus amigos e do toque dessas pessoas. Estive afastada da minha mãe, pela idade, da minha prima, por ser enfermeira... só a vi há três ou quatro dias, de máscara, e, ainda, sem nos tocarmos. Essa é a parte mais dura: estarmos longe daqueles de quem mais gostamos e que nos são muito próximos.

- Acredita que vamos sair todos diferentes depois desta pandemia?

Tenho alguma esperança de que a nossa vida volte um bocadinho àquilo que era antes, em que podíamos desfrutar de coisas tão simples, como uma almoçarada ou uma jantarada com os amigos, sem estarmos higienizados até ao tutano, mas vai demorar algum tempo. De uma forma responsável, temos que perceber que vai demorar algum tempo até voltarmos a esse ponto. Acho que muita coisa vai mudar.

- Enquanto mãe, quais são os maiores receios?

Os maiores receios de uma mãe são, sempre, a saúde e o bem-estar dos nossos filhos, portanto, numa altura de pandemia, a saúde do meu filho preocupou-me sempre, apesar de, muito cedo, percebermos que as crianças não estavam tão em risco como outras faixas etárias da população. O Simão, coitadinho, esteve confinado com a mãe, que ele adora. É um miúdo muito caseiro, para ele não foi muito difícil, mas, claro, tinha muitas saudades dos amiguinhos da escola, das brincadeiras com os amigos e das parvoíces de miúdos com cinco anos. O pai também fez dois períodos de quarentena preventiva, chamemos-lhe assim, e também esteve bastante tempo em casa.

- Como uma vida, habitualmente, tão agitada, conseguiu "parar" e desfrutar, em absoluto, da família?

Estes foram tempos de família, de atividades em família, de trabalhos da escola, muita presença, muita brincadeira, muitos jogos... O meu filho até aprendeu a andar de bicicleta sem rodinhas, porque houve tempo para o pai e a mãe o ensinarem.

- O Simão está quase a completar seis anos. É mais parecido com a mãe ou sai ao pai? Em que fase é que ele está?

É sempre difícil falarmos sobre os nossos filhos, porque parece que são únicos e especiais, mas, para cada pai, são claramente diferentes. O Simão é um miúdo que adora brincar com os amigos, é super bem disposto, super feliz e inteligente, gosta de aprender, gosta de fazer os trabalhinhos da escola... Está ansioso por voltar para o colégio, para os amigos e para a educadora, porque tem saudades de tudo isso.

- Ele tem noção de que a Cláudia é uma figura conhecida do público? Como é que reage quando a abordam?

Ele sempre viu a mãe na televisão, por isso, para ele, isso não é, propriamente, uma coisa muito esquisita ou muito diferente. É uma coisa com a qual ele cresceu e habituou-se. Não valoriza, porque nós, também, nunca valorizámos. Ele não tem noção do que é que isso significa, porque nós nunca fizemos questão de lhe incutir isso, antes pelo contrario, queremos que ele tenha uma vida o mais normal possível, porque a mãe é uma pessoa o mais normal possível.

- Daqui a menos de um mês, a Cláudia completa sete anos de casamento. Qual é o segredo da relação com Marco Braz?

O segredo dos meus dez anos de relação, sete dos quais em casamento, é a infinita paciência do meu marido. (risos)

- O amor dos seus pais continua a ser uma inspiração?

Os meus pais serão, sempre, uma grande referência e a maior referência da minha vida. Este confinamento foi muito duro, pelas saudades da minha mãe, que tem 80 anos, e do meu pai, que já cá não está, e de quem vou ter saudades para a vida toda.

- O público tem um carinho muito especial por si. Como é a Cláudia que o público não conhece?

A televisão faz parte da minha vida desde 1995. A televisão faz parte de mim. Fora da televisão, sou a pessoa mais normal do mundo, faço aquilo que toda a gente faz. Também tenho t-shirts de dormir, daquelas com buracos, como toda a gente tem, faço as minhas coisas todas em casa... Sou uma pessoa normal, gosto de cozinhar, adoro ter amigos cá em casa a comer uns caracóis e beber umas cervejas, uns gins (risos)... coisas das quais tenho muitas saudades. Sou uma pessoa perfeitamente terra a terra. A televisão nunca exerceu esse deslumbramento em mim. Aparecer na televisão não exerce esse deslumbramento, porque já são muitos anos.

- Uma curiosidade que o público desconheça sobre a Cláudia?

Talvez a maior curiosidade que as pessoas não saibam sobre mim é que adoro a costura. Tenho uma máquina de costura, adoro fazer coisas na máquina de costura, fiz máscaras para toda a gente cá em casa. Não fazia ideia de nada disto, na minha vida, até ao dia em que eu e a minha comadre, a madrinha do meu filho, nos metemos num daqueles cursos de modista. Fizemos dois cursos, e adoro! É uma coisa que me descontrai, que me cria um vazio no cérebro quando estou a fazer aquilo, porque é uma coisa que tem preceito, tem medida, e, portanto, tu tens de estar atenta ao que estás a fazer. além disso, adoro cozinhar, e adorei fazer bolos durante a quarentena, com o meu filho.

- Por falar em bolos, que cuidados teve com a alimentação? Praticou exercício físico?

Os cuidados que tive com a alimentação neste confinamento foram, basicamente, pôr quase uma tranca no frigorifico e na despensa, porque, senão, teríamos todos rebolado cá em casa. A pessoa teve que se controlar para não devorar tudo o que era porcaria. O truque para ter cuidado com a alimentação é não comprar porcaria. Desde que não haja, a malta tem cuidado com a alimentação. Sobretudo nesta quarentena, tive de ter muito cuidado com as quantidades, e fiz exercício fisico. No inicio, deu-me mesmo muitas ganas de treinar loucamente, para não enlouquecer por estar fechada em casa. Depois, voltei a alguma normalidade, mas, sim, gosto de fazer exercício, gosto de fazer uma alimentação saudável, sendo que, atenção, não faço disso uma coisa quase fundamentalista, não sou fundamentalista em relação a nada. Faço quando me apetece, mas, também, há dias em que se me apetecer exagerar ou comer algumas porcarias, está tudo bem. Vivo bem sem culpas nesse sentido, até porque sou jornalista, não sou modelo, portanto, aos 46, vivo perfeitamente bem com o meu corpo.