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Magda Burity sobre o "Big Brother": "Zena, a Guerreira da Madeira"

Sempre fui de Lisboa, onde nasci e cresci, porque os meus avós se mudaram de Angola para a Alameda Dom Afonso Henriques, em 1961. A partir daí, várias gerações da minha família, tal como eu, passaram a ser 'alfacinhas de gema'.

Mas o que isto tem a ver com o "Big Brother - A Revolução" e a Zena? Muito. Porque, no outro dia, a ouvir mais uma das pérolas do Rui, em que dizia que a miúda mais poderosa daquela casa, para mim, e que, por acaso, é da Madeira, não entendia português e era limitada, pensei que o Rui se estava a colocar numa posição cosmopolita que nunca teve.

É que, caso ele não saiba, a Madeira é só um dos pontos turísticos mais requisitados por milhares de turistas há dezenas de anos e que, talvez, a mente aberta de Zena e a forma dela ser seja uma mistura dessas experiências e do 'mundo' que já viu a partir da sua ilha.

Chama-se aculturação.

Estou um pouco cansada de assistir pessoas broncas na televisão. Que acham que têm poder de retórica e usam aquela máxima de que, com duas ou três palavras - no caso do Rui são sempre gritos histéricos e palavras rudes -, arrumam com o seu par.

Entenda-se que par não é pessoa para dançar, mas alguém que está ao mesmo nível do que ele no jogo e tem os mesmos direitos e deveres no "Big Brother" e, consequentemente, na casa onde todos habitam.

Mas o Rui acha que não.

Talvez seja por isso que esteja ali. Qual Bobo da Corte, para mim, a mostrar-nos, diariamente, um caráter muito pouco condizente com os valores que afirma ter.

Dizem que, quando comentamos, temos de pensar nas famílias e eu penso. E será que o Rui pensa na família da Zena a tratá-la assim quase desde que acorda?

Já provou que não aceita ser liderado por mulheres. É empresário e parece que não sabe que, no ambiente de negócios, também há mulheres empresárias que lideram e com distinção.

Por isso, acho que todos os defeitos e limitações que aponta à Zena são, na realidade, como ele se revê. Uma pessoa que não sabe ouvir. Logo, tem dificuldades de perceção da realidade e que demonstra níveis de intolerância piores do que um celíaco ao glúten.

Logo e voltando ao início do meu texto e por ter crescido na capital, vivido em várias capitais, já não consigo sentir nada pelo Rui a não ser pena. Já não considero que esteja a jogar. É mesmo dele aquele mundinho pequenino em que ele acredita ser de verdade e o facto de a Zena ser a terceira mulher líder que ele destrata e tenta fazer a vida cinzenta, não é de bem!

Já repararam que escrevi 'a vida cinzenta'? É nestes pequenos gestos que todos podemos trabalhar para reconstruir um mundo melhor. Porque, de facto, os dias cinzentos são mais difíceis de gerir.

E para a Zena, minha Zena. Tens liderado como ninguém e demonstrado que a localização geográfica não nos limita, enquanto pessoas. Os intolerantes vamos observando um por um.

De uma coisa há uma certeza. O bem vence sempre.

Mas, neste 'BB', não sei.

Saravá.