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EXCLUSIVO

Magda Burity sobre final do "Big Brother": "Das duas, a Zena!"

Hoje é o último dia do "Big Brother - A Revolução" e, também, o meu último dia dedicado a escrever sobre este reality show que me aproximou de vocês nos últimos meses. Comecei com o #BB2020 e termino revolucionando na SELFIE com o olhar que, através do meu sofá, me permitiu analisar e enquadrar, na nossa sociedade, os comportamentos de alguns dos concorrentes desta temporada.

Não é fácil estar deste lado a atirar 'postas de pescada' só porque sim. É um nome que se assina, tal como uma cara que se dá, igualmente como os corajosos concorrentes de reality shows, que há 20 anos procuram o seu lugar ao sol, utilizando as suas estratégias, a sua natureza humana ou simplesmente nada.

Nesta 'Revolução' não me consegui apegar a nenhum concorrente. Dizer "quero que ganhe a pessoa x ou y", mas se a Zena, a Jéssica e o Pedro chegaram à final acredito que, ao longo do jogo, reuniram características que os colocaram na pole position.

Várias vezes defendi o Pedro, por ser da minha geração, e não entender o conflito de um grupo de miúdos com um adulto. Nunca passei por isso, daí a minha perspetiva ser fundamentada apenas na falta de educação e bases por parte dos seus congéneres.

Houve quem o chamasse um jargão que não utillizo, mas passo a expressão: "pica miolos". Na minha perspetiva, o Pedro é apenas um homem que ainda não alcançou um nível de maturidade para se impor e entender quando é o momento de parar. Parar de falar, parar de andar atrás, parar de buzinar.  E impor nada tem a ver com os comportamentos do outro Pedro da edição anterior e sim fazer jus às várias fases de crescimento pessoal que a vida nos proporciona.

Ninguém com mais de 40 anos deve manter o mesmo mindset dos 20. Se soubessem como era o meu não iam validar o que escrevo agora [risos]. E esses conflitos diários acabaram por ofuscar o brilho da casa, os romances, as brincadeiras e o que realmente nos deve entreter.

O Big Brother tem como tradição, em todo o mundo, ser um jogo que leva ao limite, mas, ao mesmo tempo, subitamente, consegue colocar-nos a rir e a chorar, compulsivamente, com as histórias de vida dos concorrentes. Porque são reais. Não se controlam. E nos tocam de uma maneira que nem nós nos controlamos. Essa é a magia.

É o jogo e programa mais imprevisível de sempre e, por isso, adoro o formato. Aprendi muito com ele trabalhando na Endemol South Africa e todos os dias me emocionava com os detalhes.

Nestes três meses e meio quase não houve tempo para respirar. Não ouvi a Jéssica a cantar. Tinha esperança de escutar a alma da fadista. De sentir as suas dores. Ou não é o fado a nossa sina? Mas só ouvi gritos, asneiras e uma linguagem que me incomodava sempre que havia conflitos.

No entanto, não posso deixar de dar valor à garota de Cascais por ter sido assertiva dentro da casa, cada vez que tinha de enfrentar um problema. Viesse ele de dentro ou fora da casa. Na noite de Natal, arrancou-me umas gargalhadas e, mais uma vez, foi a sua natureza a falar mais alto. Isto é o Big Brother.  

E quem é que eu deixo para o fim. A primeira. A que eu gostaria que ganhasse e batizei numa crónica "Zena, a Guerreira da Madeira". Ao contrário do que muito foi falado pelas mentes conservadoras do nosso país, para mim, Zena é uma menina livre, tal como eu sou livre de não colocar o artigo antes do nome dela, para a descrever.

O facto de não querer manter uma relação com o André Abrantes durante o dia e divertir-se com ele durante a noite não fez dela uma libertina durante o jogo e sim usar de toda a sua liberdade de viver. Estamos em 2020, gente! O ano mais desafiante das nossas vidas e a olhar de uma miúda que nasceu em 1999. Eu tinha 24 anos. E vocês? Os que a apedrejam qual Maria Madalena?

A Zena, tal como comentava ontem com a Slávia, que me deu umas luzes, teve o corpo objetificado no programa todo por ser bonita, sensual e "playar" - brincar - com o André durante o jogo. Mas era a sua forma de se proteger de uma relação séria dentro de uma casa cheia de gente que a "adorava".

Estiveste bem, miúda, porque, apesar de a sexualidade não ter sido abordada dentro e fora da casa como um tema, e a forma como nós, as mulheres, lidamos livremente com ela, a Zena conseguiu fazer o desenho.

Que seja vencedora!

Gratidão a todos que me leram ao longo destas quase 30 crónicas.

Feliz 2021!