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Magda Burity: "Zena, estou contigo! Carina e Michel, também!"

Magda Burity

Desde miúda que sou um bocado como a Zena, só que com sotaque da Alameda Dom Afonso Henriques. A liberdade sempre caminhou ao lado do respeito que me foi incutido em casa.

Neste contexto, e como no meu bairro cresci com amigos do sexo masculino, uma vez que não havia raparigas no Bairro dos Atores que corressem de um lado para o outro pelo jardim imenso que nos rodeava, fui crescendo com eles, passámos a puberdade juntos e várias fases da minha vida, que me fazem ter uma relação especial com os meus amigos de infância e, até hoje, não distinguir que fazer cafuné a um homem ou a uma mulher me pode tornar uma leviana.

Lógico que não ando por aí a distribuir festinhas pela torcida do Flamengo, mas fica a dica.

"O não ser normal" de que a miúda da Madeira é acusada é que já não é normal em 2020. Esta chacina pública que o André Abrantes, a Jéssica F. e os fofoqueiros da casa estão a fazer à Zena é mais para a minha idade do que para a deles. Já que, aos 45 anos, eu sou idosa para os concorrentes do "Big Brother – A Revolução".

Vamos lá ver: estas pessoas não se conheciam de lado nenhum. Exceto a Joana e o Michel, que até são 'contatinhos' um do outro. Sendo assim, ninguém é posse de ninguém. Basta ver o resultado dos amores relâmpago dos realitys shows que já são notícia esta semana.

Logo, todo este circo à volta da Zena só tem a importância que as pessoas lhe querem dar. E o maior culpado, mais uma vez, é o André Abrantes, que, qual lobo em pele de cordeiro, toxicamente, por não obter o que quer, envenena, com a sua mente preconceituosa, os restantes colegas de casa.

Já se esqueceram do episódio da pseudo-homosexualidade entre a Zena e a Sofia e da forma como ele reagiu?

Só tenho pena de que esta casa não tenha capacidade para pessoas livres, como a Zena, que não precisam de rótulos para viver em sociedade e que conseguem resolver os seus problemas, conversando.

Carina, querida. Tens o meu apoio. A situação que aconteceu contigo, no pós-gala, foi uma atitude a que se chama gaslighting, que significa, assim trocado por miúdos: distorcer uma situação a seu favor - por parte da Sofia.

Se te nomeou tão veementemente e não se identifica contigo, a atual líder da casa não tinha necessidade de te procurar para se justificar.

Sabendo ela que tu ferves em pouca água e que nunca se deve abordar alguém que está irritado, no momento. Se existe mesmo essa paz e amor que tanto apregoa, esperava pela cadeira quente e o "Big Brother" tratava do assunto.

Mais uma vez, a Carina foi o bode expiatório de algo que se quer criar na casa como "sensato", mas os originais são melhores do que as cópias.

Esta gala deu cabo de mim e não posso deixar de referir, aqui, uma situação que pode ter passado ao lado de muitos de vocês. O protesto do Michel à "nomeação" de "planta da casa". Ele não gostou e, finalmente afirmou-se.

Toda a gente tem o seu tempo e o rapper teve o dele. Está ali para honrar e respeitar os conselhos que a sua mãe lhe deu: "A minha mãe está muito orgulhosa de mim e disse, antes de eu entrar, para eu ser educado e não arranjar guerra com ninguém. E não é pela minha cor que eu tenho que ser uma pessoa agressiva ou que gosta de discutir."

Esta posição do Michel diz muito sobre o racismo sistemático e estrutural que Portugal ainda vive e, concordando com o rapaz de Porto Salvo, respeitando inteiramente as palavras da sua mãe, é notório que é uma das pessoas que demonstra mais educação para com o próximo, na casa, e que dá mais atenção à oralidade dos pais, tal como eu pratico, no meu dia a dia.

E isso não tem a ver com tom de pele ou origem. Mas, no caso do Michel e tendo em conta as condições em que cresceu, vejo ali um rapaz oprimido e a não querer pisar a linha. Mas qual linha? Temos que não ter opinião formada e firmada pela nossa origem? Não. Somos todos iguais. E acho que, agora, o Michel vai jogar. Agora, já te entendi e tenho a certeza de que esta experiência te vai tornar uma pessoa ainda melhor. Joga!

Saravá!