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Magda Burity comenta polémicas do "Big Brother": "O Luís, o Bruno e o Bem"

Nunca escrever uma crónica foi tão difícil. Não por dificuldades de escrita, já que assumo que a minha editora tem sempre de cortar palavras do tanto que escrevo, mas por tentar entender o que se tem passado nos últimos dias. Por isso, o meu vídeo introdutório nada tem a ver com o que está escrito aqui. Mas estamos a falar da novela da vida real, certo?

A saída do Luís tocou-me imenso. Pela forma que foi, pelo que se disse sobre o rapaz e por, mais uma vez, não se ter observado de que o que ali se tratava era de um problema de saúde mental que deve ser respeitado.

Diz-se que há os "fortes" e os "fracos", mas há o Luís. Um dos jogadores do "Big Brother – A Revolução" que passou por um batalhão de testes no casting e, de certeza, que todos os seus pontos fortes e fracos foram analisados. Que as suas características se destacaram de outros potenciais jogadores e, por isso, conquistou o tão desejado lugar em milhares de concorrentes.

Só por isso mereces o nosso respeito, Luís, e também merecias o do pseudoguru da casa mais vigiada do país que acha que está a viver "uma ilusão da realidade" e, mais uma vez, no seu papel de "lobo em pele de cordeiro" contribui para mais uma baixa que é a do Bruno.

Na realidade, estes dois momentos do "Big Brother - A Revolução" são um paradigma, em que o André Filipe persegue dois concorrentes e os leva à exaustão.

Se são fracos? Não. Simplesmente, não estão para aturar pessoas tóxicas dentro de uma casa em que não conhecem ninguém e ainda bem que há uma produção que os compreende, uma família cá fora e toda uma vida em que não impera o vale tudo.

A procissão ainda vai no adro e, apesar de reconhecer que o "Big Brother" pode mudar vidas, inclusive as nossas, nenhum jogo deve fazer com que dois jovens com vida própria se coloquem num lugar que não é o deles, se isso vai contra a sua dignidade humana.

Ansiedade e pânico dominaram esta primeira semana e vamos ficar atentos. Na condição de alguém que já esteve na estrutura de uma grande produção destas, na Endemol África do Sul, posso dizer-vos que cada perfil é percorrido a pente fino, que gerir o dia a dia de 18 a 20 pessoas não é fácil, porque nem sempre o que se apura nos castings se revela na casa.

É importante referir, mesmo eu não estando abalizada para falar de forma aprofundada sobre o assunto, que, de acordo com a Sociedade Portuguesa de Psiquiatria, mais de um quinto dos portugueses sofre de uma perturbação psiquiátrica (22,9%) e, entre as perturbações psiquiátricas, as perturbações de ansiedade são as que apresentam uma prevalência mais elevada (16,5%), seguidas pelas perturbações do humor, com uma prevalência de 7,9%. É caso para pensar, meus amigos, e não abordar estas duas saídas de um jogo de forma leviana ou com uma "mão pelo pelo".

Há sempre alguém disponível 24h para estes meninos e uma equipa médica para os auxiliar. Só desejo o melhor para o Luís e Bruno e a vida cá fora continua.

E nunca se esqueçam de que o bem vence sempre!

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