Soraia Tavares recorda problemas com racismo: "Fico muito revoltada"

Igor Pires
Conta-me como és - Fátima Lopes entrevista Soraia Tavares
Soraia Tavares no "Conta-me Como És"
Pedro Fernandes no "Conta-me Como És"
Diogo Morgado no "Conta-me Como És"
Raquel Tavares no "Conta-me Como És"

A atriz e cantora Soraia Tavares teve uma conversa emotiva com Fátima Lopes, no programa "Conta-me como És".

Soraia Tavares foi a convidada deste sábado, dia 3, de Fátima Lopes, no programa "Conta-me como És". Numa conversa franca, a vencedora da edição mais recente de "A Tua Cara Não me é Estranha" abordou o trajeto pessoal e profissional, tendo relembrado, inclusive, alguns episódios de racismo. Uma dessas situações aconteceu logo na escola.

"Lembro-me de que uma vez me passei, porque me chamaram de Djaló e queriam instituir que eu ia ser o Djaló da turma, ou seja, ia ser a minha alcunha. Eu passei-me. Mas não sinto que vivi muitas situações de racismo, já vivi algumas, mas senti sempre que ao mesmo tempo os meus colegas gostavam de mim, nunca me puseram à parte. Quando fui para a escola de teatro, foi quando senti ainda mais valorizada a questão de ser preta", explicou Soraia Tavares.

Nessa nova fase da sua vida, a jovem atriz e cantora até recebia elogios pelo tom da pele: "Durante muito tempo, mais do que hoje até, sentia que era uma mais-valia nas audições eu ser preta. Se calhar por não sermos muitas, em teatro musical principalmente, fui a muitas audições em que eu era a única e isso destacava-me".

Já no mundo da televisão, tem sido bem diferente: "Na televisão, acho que não é assim. Ou está lá escrito que a personagem é negra ou então não se lembram de mim... Espero que seja só da minha cabeça. Fico muito revoltada. Nem sequer vou fazer um casting. Ou é um casting super aberto, ou então é para uma coisa especifica. Claramente precisam de uma negra. Só senti agora que estava a fazer um casting e que não era por questões de cor. Para a peça 'Chicago'. Senti que ou ia ficar eu ou ia ficar a outra... e a outra era uma branca. Por acaso, fiquei eu. Fisicamente, ela era diferente de mim, por isso foram questões de talento, da forma de representar, de cantar..."

(Re)veja a entrevista na íntegra.