Filho és, pai serás: a influência paterna na relação pai-filho e na relação amorosa

No segundo episódio da segunda temporada da rubrica Bem Me Quer by Barral, Cátia Soares recebe a psicóloga Tânia Correia e o apresentador João Montez para falar sobre o papel do pai.

No segundo episódio da rubrica Bem Me Quer by Barral, falamos sobre o papel do pai e respondemos a muitas das questões sobre o tema que nos foram colocadas pelos seguidores nas redes sociais. Desta vez, a coordenadora editorial da SELFIE, Cátia Soares, conta com a presença habitual da psicóloga Tânia Correia e de um convidado muito especial: o apresentador João Montez.

Um dos temas abordados tem a ver com o impacto de um pai na perceção que os filhos vão ter do mundo e das escolhas que vão fazer.

"É quase intrigante como é que, durante tanto tempo, nos esquecemos do papel do pai, que é tão abrangente. Ele ensina-me a relação que o pai tem comigo enquanto filha, mas também me ensina a relação do pai com a minha mãe, de como é que a mulher, neste caso, pode e merece ser tratada", explica Tânia Correia.

Por sua vez, João Montez mostra-se empenhado nessa tarefa: "Espero estar a ser, pelo menos, o melhor modelo que ela poderá ter. E por isso é que muitas vezes não quero errar, mas isso também é muito difícil."

Adicionalmente, a psicóloga reforça o peso que o papel do pai pode ter nesta construção de um modelo de relação conjugal: "A criança observa o que o pai faz de cada vez que a mãe está cansada. Como é que ele a trata? E quando a mãe chega a casa depois de um dia mau, o que é que o pai faz? E vai criando modelos do que é uma relação conjugal, a partir daí. Claro que não tem de ficar presa a esses modelos. Não é por os pais terem um cenário de violência doméstica que a criança está condenada a uma relação na qual há violência doméstica. Vai é dar mais trabalho. Quem tem um modelo saudável já traz muitas destas noções e tem aqui algumas vantagens. Por exemplo: quando chega a uma relação menos saudável, tem os vários sininhos que tocam rapidamente assim que a pessoa começa a mostrar alguns comportamentos que para ela não são normais, porque em casa dela isto não acontecia. Essa pessoa mais facilmente sai daquela relação e também tem uma abertura diferente, mesmo em termos de receber amor, porque viu isso acontecer à frente dela."

Por último, Tânia Correia deixa um importante alerta: "Daqui a uns anos, a criança não vai precisar do pai provedor, porque, depois, já vai ter a sua autonomia financeira, nem vai precisar do pai que só educa, porque, a dada altura, já não vai precisar dessas orientações e vai querer começar a pensar por si... E, aí, não sobra nada e acontece aquilo que vemos muito: pais a dizerem que nunca veem os filhos, que os filhos não os visitam, porque não houve ou não há uma relação. Se, daqui a uns anos, é importante para vocês terem os vossos filhos na vossa vida e estarem na vida deles, essa relação começa a construir-se agora, neste momento."

 

Bem Me Quer by Barral é uma rubrica sobre maternidade, parentalidade e saúde mental de pais e filhos. Neste projeto, a SELFIE conta com a psicóloga Tânia Correia e com o apoio da Barral, um parceiro que se preocupa, acima de tudo, com o bem-estar das famílias.

Tânia Correia | Psicóloga, mestre em Psicoterapia Cognitiva-Comportamental na área da infância e adolescência | OPP: 24317

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