Qual é a altura ideal para as crianças largarem a fralda?

No primeiro episódio da segunda temporada da rubrica Bem Me Quer by Barral, Cátia Soares recebe as psicólogas Tânia Correia e Márcia Tosin para falar sobre o desfralde.

A segunda temporada da rubrica Bem Me Quer by Barral arranca com um episódio sobre um dos momentos mais marcantes na vida de uma criança e que causa bastante ansiedade nos pais, o desfralde.

Neste episódio, a coordenadora editorial da SELFIE, Cátia Soares, conta com a presença habitual da psicóloga Tânia Correia e de uma convidada muito especial: a psicóloga brasileira Márcia Tosin, fundadora do Movimento Neurocompatível.

Um dos temas abordados tem a ver com a existência, ou não, de uma altura ideal para se iniciar o processo de desfralde.

"Por vezes, as crianças chegam e a primeira coisa que lhes perguntam é: ‘Ainda usas fralda? Com esta idade, ainda usas fralda?’ E fazem aqueles comentários: ‘Que feio, ainda usas fralda, ainda és bebé!’ Isto é extremamente violento, é uma forma de humilhação. Seria o mesmo que chegarmos a um local e nos abordarem em relação a uma competência que nós, por algum motivo, ainda estamos a desenvolver, e sermos abordados diretamente ali onde magoa", aponta Tânia Correia.

"Como se a criança fizesse dois anos e o esfíncter ficasse pronto… Como se o desenvolvimento cerebral estivesse concluído aos dois anos... E não é assim", acrescenta Márcia Tosin.

Numa aparente busca pela gestão saudável entre aquilo que é incentivar a criança e respeitar o tempo da criança, os pais caem muitas vezes no erro de precipitar o desfralde mal chega o bom tempo por uma questão de comodidade. E o mesmo acontece nas creches e nos jardins de infância.

"Não é um processo em que se avalia se a criança está pronta ou não para o desfralde. Depende do que dá jeito ao adulto. ‘Já está bom tempo. A mim dá-me jeito fazer isto agora, porque a roupa seca mais depressa, então, é mais fácil para mim’. Infelizmente, o que acontece na maior parte das instituições é que é o timing a nível de meteorologia que define se a criança vai começar, ou não, o desfralde. E é um processo que é aplicado a todos daquela sala. Veio o sol, vamos então todos desfraldar, quer queiram, quer não queiram. Não há uma leitura daquela criança em específico", lamenta a psicóloga clínica Tânia Correia.

E, aqui, entra também a pressão da sociedade, como descreve a psicóloga clínica Márcia Tosin: "A escola pressiona a criança, os pais pressionam a escola, a sociedade pressiona… E a criança está ali naquele processo, que seria um processo muito bonito, mas que facilmente dá origem a transtornos, por causa da violência que é pressionar e não permitir o bom desenvolvimento. Dizem-nos: 'Vai deixar a criança fazer tudo'; 'Vai deixar usar a fralda até aos 12 anos, até aos 15 anos, até aos 20 anos…'; 'Vai mamar até entrar na faculdade…'; 'Tem que existir um meio-termo'. Mas o meio-termo é realmente o desfralde guiado pela criança."

"Às vezes, parece que as crianças estão a trabalhar para empresas, que têm que cumprir aqueles objetivos mensais, senão não levam a comissão. A partir do momento em que o desfralde começa, quase que se mostra o quadro em que diz: ‘Quarta-feira, já não fez até esta hora, sábado de noite também já não fez…’ É tudo muito apressado!", sublinha Tânia Correia.

No meio de toda a pressão, a criança tenta, ainda assim, fazer o processo ao seu ritmo, como explica Márcia Tosin: "Ninguém mais do que a criança quer deixar a fralda. A criança quer largar a fralda. Ela faz o processo de imitação social. Se ela vai para a escola, ela vai observar. Ela observa os adultos a usar a casa de banho. Então, ninguém mais do que a criança quer."

No entanto, Márcia Tosin sublinha que o desfralde está a ficar cada vez mais tardio. "As crianças estão a deixar a fralda mais tarde. Há uma pesquisa que mostra que o desfralde está mais próximo dos quatro anos aquilo que acontecia antes dos dois anos."

 

Bem Me Quer by Barral é uma rubrica sobre maternidade, parentalidade e saúde mental de pais e filhos. Neste projeto, a SELFIE conta com a psicóloga Tânia Correia e com o apoio da Barral, um parceiro que se preocupa, acima de tudo, com o bem-estar das famílias.

Tânia Correia | Psicóloga, mestre em Psicoterapia Cognitiva-Comportamental na área da infância e adolescência | OPP: 24317

Márcia Tosin | Psicóloga especialista em Psicoterapia Comportamental e Cognitiva | Título de Especialista em Psicologia Clínica chancelado pelo Conselho Federal de Psicologia Brasileiro CRP08/10916

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