Manuel Luís Goucha lamenta morte de figurante do "Você Na TV": "Só não consigo castigar esta frustração que sinto"

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Manuel Luís Goucha recorreu às redes sociais para partilhar um texto emotivo sobre Almerinda, uma figura habitual na plateia do programa "Você na TV", que morreu na passada sexta-feira, dia 7.

Foi através da página de Facebook do apresentador que ficámos a conhecer Almerinda e a frustração de Manuel Luís Goucha, por não ter dado conta dos sintomas da senhora que era presença recorrente no programa da manhã. 

"Quem se senta diariamente na plateia do 'Você na TV' tem uma história de vida, que na maior parte das vezes desconheço mas chego a pressentir através de um olhar cúmplice, de um riso desmaiado, ou de uma gargalhada franca. Não, não são meras figuras de encher lugares para mecanicamente aplaudirem o que se vai passando em estúdio, algumas estão ali para enganar a solidão, o desencanto, a indiferença e, por três horas, são felizes com a Cristina e comigo [...]", começou por explicar.

"A Almerinda levantava-se todos os dias às quatro da matina para fazer a limpeza de um escritório antes de se meter a caminho de Queluz, para não perder, em estúdio, o programa. Fazia-o pela mãe Adriana, já falecida, que muito gostava de mim, a ponto de me acompanhar todos os dias, havia um ror de anos, tantos os que já levo na função, escrevendo muito do que eu dizia para depois, quando a filha chegasse a casa, lhe contar tudo,”tim-tim por tim-tim, e por ela, que ali sentia-se útil por fazer parte, mostrando-se sempre prestável no afã de tirar as fotos dos que iam pela primeira vez. E eu gabava-lhe a alegria e as cores com que vestia as nossas manhãs", acrescentou.

"Há umas semanas começámos a vê-la mais acabrunhada, “qualquer coisa que teria comido e caído mal”- dizia-nos quando lhe perguntávamos o que tinha. Ou talvez um resfriado, “fruto da época“, mas que em chegando a casa iria dar conta dele com uns chás e alguma mezinha. Arrastou-se durante dias a caminho do programa, enganando a febre, os suores, as dores e a crescente apatia, até ao momento em que foi encontrada em casa, só e desfalecida. A Almerinda deixou-nos, hoje, mas vai sempre viver em mim pela sua fidelidade e generosidade. Só não consigo castigar esta frustração que sinto por não ter sido capaz de perceber que precisava de ajuda", rematou.

Acompanhe o site do programa AQUI.